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Aborígine 'roubado' da família ganha indenização inédita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de anos de batalhas legais, o australiano Bruce Trevorrow se tornou o primeiro aborígine a receber indenização por ter sido afastado de sua família quando tinha 1 ano de idade. Trevorrow é um dos 100 mil aborígines autralianos que foram tirados de seus pais e entregues a instituições de menores, missões religiosas ou encaminhados para adoção. Eles fizeram parte de um programa de assimilação étnica que vigorou na Austrália do início do século passado até os anos 70. Essas crianças ficaram conhecidas como "a geração roubada". A saga de Treverrow começou no dia de Natal de 1957 quando seu pai pediu aos vizinhos que levassem o menino ao hospital porque ele sofria de dor de estômago. Ao admitir a criança, o hospital registrou que Bruce não tinha pais e que estava desnutrido e negligenciado, três afirmações que mudariam sua vida para sempre. Adoção Ao responder a um anúncio que procurava pais brancos adotivos para crianças aborígines, Martha Davies e o marido visitaram o hospital onde o menino estava internado e decidiram levá-lo para casa. Ainda acreditando que Bruce estava no hospital, a mãe tentou saber notícias do filho por meio da hoje extinta Comissão de Proteção para os Aborígines, já que a família não tinha carro ou telefone. "Estou escrevendo para saber como o bebê Bruce está", escreveu a mãe cinco meses depois da internação do filho. Mesmo sabendo que naquela altura o menino já havia sido adotado e morava com uma nova família, a comissão respondeu que o estado de saúde do menino "estava progredindo", mas que ele ainda teria de permanecer no hospital para futuros tratamentos.
Ter crescido no meio de uma família branca foi uma experiência "desorientadora", nas palavras de Bruce. "Eu perguntava freqüentemente aos meus pais por que eu era diferente das outras crianças, e eles respondiam que tinham parentes negros", conta. "Sendo o único negro na escola, eu era provocado e intimidado pelos outros. Foi uma experiência muito traumática." Luta por justiça A adoção, planejada para ser por tempo limitado, acabou quando o menino tinha dez anos. A volta para casa foi difícil e durou apenas 14 meses. Bruce passou boa parte da adolescência indo e vindo de instituições para menores. Hoje, quase 50 anos após ser arrancado da família, ele não somente descobriu toda a verdade sobre a sua criação, como se tornou o primeiro aborígine a ser indenizado pelo sofrimento que foi obrigado a atravessar. A batalha legal começou em 1998, quando ele entrou com um processo contra o governo do sul da Austrália, argumentando que o seu alcolismo, as crises de depressão e a incapacidade de se manter no trabalho se deviam ao fato de ele ter sido "roubado" da família. Ele ainda alega ter perdido sua "identidade cultural". Respostas O juiz decidiu a favor de Bruce, que recebeu uma indenização em dinheiro no valor de 525 mil dólares australianos (R$ 855 mil). "Eu nunca achei que fosse ganhar. Só estava mesmo em busca de algumas respostas, como quem sou e de onde venho", disse Bruce, pai de quatro filhos. O caso não deve abrir precedentes para que milhares de outros aborígines "roubados" entrem com pedido de indenização. Bruce foi beneficiado pelo fato de que as cartas escritas por sua mãe à comissão permaneceram intactadas até hoje. |
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