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Atualizado às: 09 de agosto, 2007 - 16h55 GMT (13h55 Brasília)
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Caso da mala com dólares da Venezuela derruba assessor de Kirchner

Ministro Julio de Vido e presidente argentino, Néstor Kirchner
Assessor do ministro Vido (esq.) caiu devido ao escândalo
O escândalo envolvendo a mala com quase US$ 800 mil que saiu de Caracas, na Venezuela, e chegou em Buenos Aires, na Argentina, provocou a demissão nesta quinta-feira de um dos homens fortes da equipe do ministro do Planejamento, Julio de Vido.

O presidente do Órgão de Controle de Concessões de Estradas (OCCOVI, na sigla em espanhol), Cláudio Uberti, era um dos oito integrantes do jato alugado que saiu de Caracas, na Venezuela, para Buenos Aires, na Argentina, dois dias antes do desembarque do presidente venezuelano Hugo Chávez no País.

Uberti era definido pela imprensa argentina e venezuelana como uma espécie de "embaixador informal" na relação entre os dois países.

Nesta quinta-feira, os jornais La Nación e Ambito Financiero informam que ele gritou quando empregados da alfândega pediram para vistoriar a mala com os dólares.

Além de Uberti, estavam no mesmo vôo, uma empregada da OCCOVI, o presidente da estatal ENARSA, Exequiel Espinosa, quatro funcionários da estatal petroleira venezuelana PDVSA e o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, que tinha a mala com os dólares.

Segundo o jornal Clarin, Antonini Wilson tentou subornar os empregados da alfândega, mas uma empregada reagiu, ameaçou prender todos eles e chamou supervisores para que apreendessem o dinheiro e registrassem o caso.

O fato ocorreu no sábado e chegou à imprensa 48 horas depois. O dinheiro – exatos US$ 790.550 – continua apreendido.

Antonini Wilson embarcou para Montevidéu, no Uruguai, e, segundo a justiça argentina, não compareceu para recuperar a fortuna.

Pelas regras da alfândega, ele deveria pagar multa equivalente a 50% do total do dinheiro para recuperar o restante dos dólares. Mas partiu sem levar a mala.

Kirchner

Num discurso, nesta quinta-feira, o presidente Nestor Kirchner disse: "Eu já falei que não coloco a mão no fogo por ninguém".

Kirchner reiterou que defende a transparência e voltou a pedir ajuda para seguir governando – frase que costuma repetir em seus discursos nos palcos populares.

A misteriosa mala é hoje um dos principais assuntos na imprensa argentina e venezuelana. O chefe de gabinete da Casa Rosada, Alberto Fernández, afirmou, nesta quinta-feira, à rádio Mitre da Argentina, que a Venezuela deve dar explicações sobre o caso.

Afinal, disse ele, o erro dos dois integrantes da equipe de De Vido – Uberti e Espinosa – foi ter permitido uma pessoa estranha no avião que o governo argentino tinha alugado por um dia.

"Foi realmente um fato infeliz", disse Fernández. "E queremos que a justiça investigue tudo até o final."

Julio de Vido é uma das autoridades mais poderosas do governo do presidente Kirchner. E passou a ser, assim como Uberti e Espinosa, alvo de piadas na imprensa venezuelana.

A emissora Globovisión tem exibido uma montagem com dublagem em espanhol, inspirada num filme de Hollywood, dizendo: "Calma, os dólares já chegarão, tranquilamente, ao destino".

A cena termina com uma mala carregada de dólares e o tango "Mi Buenos Aires querido".

O episódio da mala ocorre pouco depois que a ministra da Economia, Felisa Miceli, deixou o governo argentino sem conseguir explicar uma bolsa com dinheiro no banheiro de seu gabinete.

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