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Traficante vivia como 'cidadão respeitável' em SP, diz jornal colombiano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía posava como "um respeitável cidadão italiano" em São Paulo até ser preso na terça-feira no condomínio de luxo onde morava, diz o jornal El Tiempo, de Bogotá, na sua edição desta quarta-feira. "No momento da sua detenção, 'Chupeta' posava como um respeitável cidadão italiano, de nome Marcelo Javier Unzue, que se movimentava na América do Sul com o passaporte argentino número 16036657", diz o jornal, que como diversos veículos do país, dão grande destaque à prisão do traficante. "A captura de Juan Carlos Ramírez Abadía no Brasil marca o epílogo de uma impressionante carreira de delitos", diz o El País, de Cali, que comenta ainda que o que mais surpreendeu as autoridades "foi a nova fisionomia que tinha 'Chupeta", produto de várias intervenções cirúrgicas no rosto". De acordo com o jornal, antes da operação da Polícia Federal, o diretor da Polícia Nacional colombiana, Óscar Naranjo, havia se referido à prisão de Ramírez Abadia como "o golpe mais transcendental" que o tráfico de drogas entre a América do Sul, os Estados Unidos e a Europa poderia sofrer. 'Golpe' Segundo o jornal El Combiano, depois da prisão, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, usou a mesma expressão para definir a perda de Ramírez Abadia para o narcotráfico. Santos, informa o jornal, disse que a prisão do traficante foi "um dos maiores golpes" ao narcotráfico e que "outros importantes chefes da rede que liderava o narcotráfico colombiano serão capturados no avanço da operação internacional".
Informações veiculadas na imprensa colombiana e brasileira indicam que a investigação que levou à prisão de Abadía envolveu Estados Unidos, Argentina, Espanha e Uruguai. Ramírez Abadía, preso em um condomínio Aldeia da Serra, zona metropolitana de São Paulo, havia se transformado em um dos traficantes mais procurados do mundo, e a Justiça americana planeja julgá-lo por crimes de narcotráfico e lavagem de dinheiro. Ele também é apontado como mandante de pelo menos 300 assassinatos ao longo de uma carreira criminosa de 22 anos. De acordo com informações do jornal El Tiempo, Juan Ramírez Abadía era um jovem de classe média, adepto do fisioculturismo, quando foi aliciado pelo tráfico em 1985, aos 22 anos de idade. Extradição Os jornais da Colômbia dão como certa a extradição do traficante para os Estados Unidos, embora o processo dependa das autoridades brasileiras. Na sua edição desta quarta-feira, o El País já previa para as "próximas horas" a entrega de Chupeta para as autoridades americanas. "O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, assegurou que Abadía será extraditado diretamente para os Estados Unidos, e ainda que tenha processos pendentes na Colômbia, o governo não pedirá a sua extradição", afirma o El Colombiano. No entanto, Washington ainda não formalizou o pedido de extradição do colombiano ao Brasil - passo necessário para que se dê início ao processo. Além disso, segundo a edição desta quarta-feira do jornal O Estado de S. Paulo, uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) torna mais difícil a possibilidade de extradição do traficante. A jurisprudência impede que o Brasil extradite um criminoso para um país em que ele possa ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte, como é previsto na legislação americana. O Estado de S. Paulo diz que, segundo as leis brasileiras, a extradição poderia ocorrer teria que ser julgado no Brasil e cumprir pena no país antes de ser extraditado para os Estados Unidos. No entanto, mesmo assim, as autoridades americanas teriam que se comprometer oficialmente a não condená-lo às penas máximas se a extradição ocorresse, de acordo com o jornal. |
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