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"Temos que levar a vitória ao Iraque", diz técnico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O técnico da seleção iraquiana de futebol, o brasileiro Jorvan Vieira, está otimista para a final da Copa da Ásia, que será disputada contra a Arábia Saudita neste domingo em Jacarta, na Indonésia. “Nós temos que levar essa Copa para o pessoal no Iraque”, disse Vieira, de 54 anos, que está à frente da equipe há apenas dois meses. “Eu espero que os iraquianos peguem suas armas e dêem tiros para o alto para comemorar nossa vitória, ao invés de dar tiros uns contra os outros.” A histórica chegada da seleção iraquiana à final, no entanto, foi marcada por uma série de dificildades dentro e fora do campo. “Quando cheguei encontrei diferenças entre o time, um grupo dentro de um grupo. Muitos jogadores não se davam entre si e isso acabava afetando o desempenho dentro do campo, principalmente na hora de passar a bola”, conta Vieira. Psicologia Ele disse à BBC Brasil que nunca chegou a perguntar a seus jogadores se os problemas eram resultados de diferenças étnicas entre eles. “O que eu fiz foi um grande trabalho com muita psicologia, conversas em grupo e individuais, para tentar mostrar que numa equipe todos precisam se dar bem porque não adianta jogar no mesmo time de alguém se você não vai passar a bola para ele.” O resultado, segundo o técnico, é que o time chega à final do campeonato como “uma família”. As comemorações pela classificação da seleção iraquiana para a final da Copa da Ásia, no entanto, acabaram trazendo mais um lembrete da grave situação no país.
A explosão de dois carros-bomba deixou pelo menos 50 mortos em Bagdá, na quarta-feira, quando centenas de iraquianos comemoravam a vitória contra a favorita Coréia do Sul. “Ficamos muito tristes porque ainda estávamos em fase de comemoração quando soubemos. Sabíamos que no país uns matam os outros devido a conflitos étnicos ou políticos, mas não no momento de comemorar a vitória da seleção. Especialmente em um país onde o futebol é uma coisa tão sagrada como é no Iraque”, disse Vieira. Saída O técnico não diz se foi por causa da violência, mas anunciou neste sábado que esta será sua última partida à frente da seleção iraquiana. “Acho que minha missão já foi cumprida. Está na hora de alguém vir e dar continuidade a ela. O mais difícil, que foi unir os jogadores, eu já fiz”, diz. Vieira conta que deixará a seleção sensibilizado pela aceitação que teve entre o povo iraquiano. “Fico feliz de saber que minhas idéias e minha visão em termos de homem de paz e do esporte foram bem aceitas. Durante essa noite, recebi mais de três mil e-mails de iraquianos, que nem sei como descobriram meu endereço eletrônico, agradecendo pelo que fiz com a seleção.” “Espero que a reeducação desse grupo possa servir de espelho para toda a nação.” |
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