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Atualizado às: 24 de julho, 2007 - 15h33 GMT (12h33 Brasília)
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Em meio a caos, Zimbábue anuncia nacionalizações
Mugabe
Presidente quer extender mandato até 2010
O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, anunciou nesta terça-feira que o governo pretende nacionalizar empresas estrangeiras que atuam no país.

Em sessão no Parlamento, Mugabe disse que nenhuma fusão, criação ou aquisição de empresas será aprovada a menos que 51% da companhia sejam destinados aos "nativos" do país.

Para o presidente, os "nativos do Zimbábue" são os que sofreram discriminação racial antes da independência da Grã-Bretanha, em 1980.

As multinacionais que devem ser afetadas pela nacionalização pertencem, em sua maioria, aos setores bancário e de mineração.

O secretário-geral do partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Tendai Biti, disse que os “zimbabuanos estão cautelosos sobre o processo de nacionalização”.

“O Zanu-PF (partido do presidente) confiscou 11 milhões de hectares de terras pertencentes a membros da comunidade branca, mas o que fizeram com elas?”, indaga.

“Eles distribuíram (as terras) entre eles e o programa de reforma agrária se tornou uma forma de enriquecimento pessoal. Então todo mundo no Zimbábue agora está cético”, disse Biti à BBC.

As mudanças na constituição prevêem ainda que eleições sejam convocadas ao mesmo tempo para escolha do presidente e parlamentares.

Além disso, Mugabe quer dar plenos poderes ao Parlamento para que eleja um novo presidente caso o cargo fique vago.

O presidente culpou as secas e sanções impostas ao país pela crise econômica do Zimbábue, que “enfrenta contínuas hostilidades da Grã-Bretanha e de seus aliados”.

Intervenção econômica

No mês passado, o governo interveio na economia depois que os preços de produtos de consumo básico subiram a níveis “astronômicos”.

O Zimbábue sofre atualmente com inflação de 5.000%, a maior do mundo, e os supermercados estão com as prateleiras vazias. O desemprego no +aís atinge 80% da força de trabalho.

"Nossa economia continua enfrentando desafios que são o resultado sanções ilegais impostas pelos nossos inimigos”, disse o presidente aos parlamentares.

Na segunda-feira, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan comentou a crise no país africano, dizendo os recentes acontecimentos são “intoleráveis e insustentáveis”.

Cerca de três mil refugiados deixam o Zimbábue todos os dias por causa da crise econômica com destino a países africanos vizinhos, como a África do Sul.

De acordo com o correspondente da BBC na região Peter Greste, as propostas para diálogo entre o Zanu-PF e o MDC fracassaram.

A oposição defende mudanças na constituição, mas a única emenda prevista até agora determina a extensão do mandado de Mugabe até 2010.

O presidente, que está em seu sexto mandato, havia prometido se aposentar em 2008, depois de 28 anos no poder.

Mugabe é tido como pivô da crise econômica no país e é acusado de abuso de poder e de intimidar opositores - o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, foi espancado em março deste ano depois de ser detido pela polícia em uma manifestação.

A crise no país teve início quando Mugabe ordenou o confisco de terras de fazendeiros brancos em 2000, deixando em frangalhos uma das economias mais desenvolvidas da África.

Robert MugabeCrise no Zimbábue
Para diplomatas, só um golpe tira Mugabe do poder.
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