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Brasil deve aceitar reunião com Bolívia sobre hidrelétricas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo do Brasil deverá aceitar a reunião solicitada pelo governo boliviano para discutir a construção das duas hidrelétricas no rio Madeira, disse à BBC Brasil um diplomata que acompanha o assunto em Brasília. "A orientação é: o dia que a Bolívia quiser, terá a reunião com o Brasil", afirmou o diplomata. Segundo ele, a determinação partiu do próprio ministro Celso Amorim. No eventual encontro, os representantes brasileiros deverão reafirmar a posição brasileira de que as obras não afetarão o país vizinho e que não há necessidade de estudos ambientais na Bolívia. Impacto ambiental A reunião com o Brasil foi pedida pelo ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca. Durante uma entrevista coletiva em La Paz na quarta-feira, Choquehuanca disse que espera que o Brasil realize estudos sobre o impacto ambiental destas hidrelétricas no território boliviano. "O Brasil só fez este estudo do lado brasileiro", queixou-se. Numa carta que enviou ao ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o chanceler boliviano se diz "contrariado" com a decisão brasileira. O governo brasileiro tem argumentado que o estudo de impacto ambiental na Bolívia é desnecessário porque as usinas ficarão em um trecho do rio muito abaixo da fronteira com a Bolívia. A hidrelétrica de Jirau deverá ser construída a cerca de 80 quilômetros da fronteira, e a de Santo Antonio, a aproximadamente 300 quilômetros – mais próxima de Porto Velho do que da Bolívia. O argumento, porém, não tem convencido as autoridades bolivainas. Numa reunião realizada este ano no Rio de Janeiro, técnicos brasileiros utilizaram uma maquete para explicar às autoridades bolivianas porque entendiam que a Bolívia não tem razão para se preocupar. Dúvidas Na ocasião, eles destacaram as distâncias das hidrelétricas para o território boliviano. Mas as satisfações não convenceram os bolivianos, que passaram a ter "ainda mais dúvidas", como afirmou um assessor de Morales, depois dos "vários meses" que o Ibama levou para aprovar as licenças prévias. Nesta quinta-feira, diferentes organizações não-governamentais da Bolívia criticaram a decisão do Ibama. As ONGs Fórum Boliviano do Meio Ambiente (Fobomade) e a Liga da Defesa do Meio Ambiente (Lidema) rejeitaram a instalação das duas usinas na região. A representante da Fobomade, Patrícia Molina, defendeu que a Bolívia inicie uma "batalha legal" nos tribunais internacionais para impedir as construções no Brasil. Já a Lidema afirmou, em comunicado: "Estamos conscientes de que as hidrelétricas poderão gerar inundações de bosques, terras usadas pelas pessoas do campo e afetar os peixes, que são a base do sustento das comunidades locais". A ONG ressalva ainda que os estudos de impacto ambiental, realizados por Furnas e Odebrecht, foram feitos em anos de seca – 2002, 2003, 2004. E argumenta que os levantamentos não consideraram o período de enchentes como o que ocorreu este ano. |
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