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Ministro: 'Plano do pan poderia ser mais consistente' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, disse nesta quinta-feira que o planejamento dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro poderia ter sido "um pouco mais consistente". O orçamento original do Pan, elaborado em 2002, previa uma verba de cerca de R$ 800 milhões. No entanto, entre verbas públicas e privadas, já foram gastos mais de R$ 3,6 bilhões nos Jogos que começam nesta sexta-feira. "Não há que se tapar o sol com a peneira, o planejamento talvez pudesse ser um pouco mais consistente, de modo que a expansão (do orçamento) fosse menos significativa." O ministro afirmou que não pretende apontar problemas neste momento "para não contaminar o ambiente dos Jogos", mas disse que o planejamento do Pan deverá ser analisado após o encerramento do evento. O ministro, que ficará no Rio de Janeiro durante o Pan, conversou com a BBC Brasil por telefone e respondeu a perguntas enviadas por internautas. Confira abaixo a íntegra da entrevista. Que planos o senhor considera mais apropriados para o uso futuro das obras que foram feitas e quanto será gasto anualmente para manutenção desses prédios? (pergunta de Leonardo C. Costa, Luis Claudio Ornellas Coelho e Marcus Macedo) Primeiro, é preciso transformá-los em centros nacionais de treinamento para cada uma das modalidades possíveis de serem praticadas nestes locais. Segundo, alguns espaços, como a Arena Multiuso e o Maracanãzinho, são instalações que podem ser disponibilizadas para outros tipos de atividades, não apenas esportivas, como culturais, pois têm um caráter multiuso. Não há um orçamento definido para a manutenção das instalações, porque isso vai ser estruturado a partir de projetos debatidos com cada confederação. E essas instalações seguramente permitirão ao país participar do circuito desportivo internacional. Receberemos vários eventos com essas instalações para receber torneios internacionais das várias modalidades. Haverá verbas para a manutenção das dependências esportivas após o término do Pan? Quem irá bancar essas despesas? (Jorge de Almeida Porto) Estas estruturas podem ser mantidas por recursos próprios do Ministério do Esporte, por recursos do Estado ou da prefeitura, dependendo de quem é o ente governamental responsável pela estrutura ou instalação. E pode ser mantido, eu acredito, através de recursos privados que podem ser estimulados com a lei de incentivo. A lei de incentivo, que foi aprovada no ano passado e que o presidente Lula agora regulamenta durante os Jogos Pan-Americanos, vai servir de estímulo para que as empresas possam investir no esporte. Isso já está definido? Quais instâncias de governo vão herdar as estruturas depois dos Jogos Pan-Americanos? Já está definido. Alguns deles são próprios, no caso do Estado. O Estádio de Remo da Lagoa, o Maracanã e o Maracanãzinho são áreas específicas próprias do Estado. A Vila Militar Deodoro e o Parque Aquático Maria Lenk, que tiveram investimento grande do governo federal, são instalações nas quais nós deveremos assumir a coordenação. No caso do Estádio Olímpico João Havelange, que é um espaço da Prefeitura, ela já sinalizou que pretende fazer uma seleção pública para definir quem vai ocupar e explorar aquelas instalações. Será uma disputa saudável entre Botafogo e Fluminense, ou um entendimento para que os dois possam ocupar conjuntamente aquele espaço, o que tornaria mais sustentável a ocupação do Estádio. Já se tem idéia de qual será o legado do Pan para a segurança no Rio? (Jorge Antonio Barros) Foi feito um investimento importante de aproximadamente R$ 562 milhões em segurança. E 75% desse investimento vai ficar para o Rio de Janeiro. Esses recursos foram utilizados para compra de aeronaves e viaturas, para modernizar meios de comunicação, para comprar armas, e um investimento forte para garantir uma força nacional de segurança forte e capacitada. Ela estará qualificada para se mobilizar a qualquer tempo para qualquer ação estratégica de segurança do país. E ficará com o conceito de segurança-cidadã, que é um conceito que prevê não só a repressão quando for necessário, mas sobretudo que parte da premissa de prevenção, de garantia de direitos para que populações vulneráveis não fiquem expostas à ação criminosa. O Brasil está se preparando para adequar sua infra-estrutura - não só a esportiva - para as necessidades exigidas de um país que quer ser sede de uma Copa do Mundo? (Fernando Ramos Gonçalves, Hans Misfeldt, Patrícia Jaeger e Marcus de Sousa) Eu tenho dito que Copa do Mundo é muito diferente de Olimpíadas e Pan-Americanos. Copa do Mundo é uma modalidade apenas e acontece em 32 cidades diferentes, já que cada Seleção deve estar em uma cidade, durante a fase preparatória do evento. Deve haver 12 sedes, pelo menos. Pan-Americanos e Jogos Olímpicos são eventos multi-esportivos concentrados em uma cidade. A maior parte das instalações esportivas que o Rio de Janeiro possui agora a partir do Pan possui uma qualidade e um padrão compatível com necessidades olímpicas. Nosso desafio agora é mantê-las qualificadas permanentemente, de modo que na hipótese de o Brasil sediar uma edição dos Jogos Olímpicos nós não tenhamos retrabalho e possamos partir de um belo parque esportivo instalado no Rio de Janeiro. Qual o motivo para o orçamento do Pan ser agora quase dez vezes o planejado inicialmente? (Claudio Lara, Leonel Ricardo de Andrade, Isac, Eduardo Silva e Antonio Cesar Costa Nunes) Essa é uma informação que careceria de precisão. Se nós atualizarmos os números do projeto que foi aprovado na época da candidatura, nós chegaríamos a valores aproximados de R$ 900 milhões. Então não é exatamente dez vezes. Mas ainda a expansão de quatro vezes do orçamento é uma expansão muito significativa. E se deve a dois fatores. Primeiro, a elevação do padrão das instalações. No processo de preparação do Pan, concluímos que faria pouco sentido você fazer um investimento em um evento dessa magnitude se isso não permitisse o país ter, após o Pan, instalações que servissem a um projeto olímpico. Segundo, o Pan é oportunidade de investimento. No caso da segurança, por exemplo, eu falei de R$ 560 milhões. O orçamento previsto inicialmente era praticamente para segurança patrimonial. Se nós não fizéssemos o investimento em segurança, por exemplo, nós iríamos perder uma oportunidade de transformar a segurança pública do Rio de Janeiro. E terceiro, não há que se tapar o sol com a peneira, o planejamento talvez pudesse ser um pouco mais consistente, de modo que a expansão fosse menos significativa. Mais consistente aonde, exatamente? No conjunto da obra, né? O conjunto do planejamento evidentemente deve ser objeto de análise no futuro, após o encerramento dos Jogos, uma vez que os Jogos estão em curso nesse momento. Mas haverá um momento em que faremos uma avaliação e identificaremos fatores que determinaram que essa expansão tivesse se dado na magnitude em que se deu. Há algo que o senhor já tenha visto que deveria ser melhor... Eu prefiro falar sobre isso depois. Para não contaminar o ambiente dos Jogos. Ajuda pouco. Não vai ter nenhum tipo de repercussão na preparação dos Jogos, vai ficar apenas como lição, como legado, para projetos futuros. Para conquistar um lugar no pódio, muitos atletas tiveram que lutar muito e contar com muita sorte e pouco incentivo. Então, porque não investir R$ 3,6 bilhões no esporte nacional ao invés de bancar um evento como o Pan? O senhor acha justa e correta a aplicação desse montante em um evento com duração de 30 dias? (Sebastian Krieger, Emerson, Wanderley Stagilano, Karina Efigênia Tola, Cris Fonseca e Luis Claudio Ornellas Coelho). Esse é o problema do ovo e da galinha. Quem vem primeiro? É semelhante. Não dá para nós estabelecermos uma contradição entre grandes eventos internacionais e desenvolvimento do esporte nacional, assim como não podemos estabelecer uma contradição entre o esporte competitivo e o recreativo. O trabalho que nós fazemos hoje é para garantir políticas públicas que assegurem o direito ao esporte. Competitivo para quem queira participar dos esportes de rendimento, e recreativo, no sentido de integração, de qualidade de vida, de promoção de saúde. Então, não tem contradição. Do mesmo modo que não há contradição em apoiar o esporte do Brasil e promover um evento internacional. Um evento como o Pan promove o país no exterior. Um evento como o Pan pauta o esporte na agenda nacional. Cria instalações adequadas para o desenvolvimento do esporte brasileiro. Ele motiva os nossos atletas e permite que os nossos atletas convivam com os melhores do mundo. Ou os melhores das Américas, o que repercute também na elevação do nível técnico do nosso esporte. Então, fazer o Pan no Brasil permite participar de todas as modalidades, até nas que temos menos tradição. Imaginar que o Pan é um entrave ao desenvolvimento do esporte é fazer uma leitura, digamos, equivocada das oportunidades esportivas, econômicas e de investimento nas cidades, como o Rio de Janeiro, que é um portal de entrada do mundo para o Brasil. O Pan significará um divisor de águas no esporte brasileiro. |
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