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Atualizado às: 05 de julho, 2007 - 14h42 GMT (11h42 Brasília)
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Ilha no Pacífico usa presa de javali como moeda; assista
Gerente de banco em Pentecoste
O Tari Bunia Bank aceita depósitos pouco convencionais
A ilha de Pentecoste, que faz parte do arquipélago que forma Vanuatu, país independente desde 1980 que fica no centro-sul da Oceania, decidiu manter a tradição de séculos de ter a presa de javali como moeda.

Essa moeda é aceita em 14 agências bancárias do Tari Bunia Bank, que registram nas contas o crédito por presas trazidas por seus clientes. Ela convive com o livatu, a moeda oficial do país.

Por séculos, os moradores das ilhas do Pacífico usam presas, conchas e até pedras gigantescas com fins tradicionais e cerimoniais.

Mas o Tari Bunia Bank agora está tornando o processo mais sofisticado, e ajudando a proteger comunidades isoladas tradicionais de Vanuatu das duras exigências do capitalismo moderno.

Cofre

Nos cofres dos bancos - cabanas de madeira - milhares de presas ficam amarradas a barbantes pendurados no teto.

"O sistema funciona a partir dos recursos naturais que temos - os produtos da terra e do mar. São todos avaliados e convertidos em nossa moeda. Nosso objetivo é garantir que não exista pobreza em nossas comunidades", explica o gerente de uma agência do Tari Bunia Bank, Viraleo Boborenvanua.

A moeda local se chama vatu. Boborenvanua e seus colegas equiparam um vatu a US$ 180. Com base nesse cálculo, o banco tem reservas de quase US$ 1 bilhão.

O governo de Vanuatu, contudo, ainda não estabeleceu um câmbio oficial, mas deu um passo importante nessa direção: ele aceita esse tipo de pagamento no sistema público de educação e saúde, que não é gratuito.

Como muitos moradores não ganham em moedas modernas, teriam dificuldade de pagar pelos serviços de outra maneira. Cerca de 50 famílias agora pagam a mensalidade escolar em Atavtabanga com a moeda tradicional.

Mas Vanuatu não escapou do lado mais sombrio do progresso. Favelas começaram a surgir em torno da capital do país, Port Vila, com a chegada de famílias que deixam as ilhas em busca de acesso à economia moderna. Fome e desemprego, inexistentes nas comunidades tradicionais, estão aumentando.

Durante anos foram feitas campanhas para que o governo de Vanuatu dê mais atenção à economia tradicional do país. Estatísticas oficiais indicam que o país é um dos mais pobres e menos desenvolvidos do mundo.

Mas Selwyn Garu, secretário do Conselho Nacional de Chefes, disse que estes dados não levam em conta "80% da população que vive sob um outro sistema. O governo está se concentrando no sistema capitalista Ocidental. Mas nós achamos que isto não é justo."

Em resposta a isso, o governo declarou 2007 o "ano da economia tradicional".

A iniciativa foi bem recebida por muita gente interessada em garantir que noções de "progresso" não sejam impostas nas comunidades tradicionais do país, que são estáveis.

Empresas estrangeiras estão se apressando em comprar terrenos na costa em torno de Porto-Vila. Há receio de que isso possa prejudicar muitos moradores de Vanuatu.

Ossada de javaliOsso como moeda
Ilha do Pacífico paga com presa de javali.
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