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Atualizado às: 28 de maio, 2007 - 14h48 GMT (11h48 Brasília)
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EUA pedem que Irã pare de ajudar rebeldes no Iraque
Delegações dos EUA e do Irã
Encontro abriu diálogo histórico entre Estados Unidos e Irã
Os Estados Unidos pediram que o Irã pare de fornecer armas, treinamento e dinheiro a militantes xiitas no Iraque, no primeiro encontro oficial entre representantes dos governos americano e iraniano em quase 30 anos.

Realizada em Bagdá, a reunião foi convocada para discutir o futuro do Iraque e foi mediada pelo primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki.

O embaixador americano no Iraque, Ryan Crocker, disse após as discussões que o embaixador iraniano no país, Hassan Kazemi, negou que Teerã esteja ajudando os rebeldes no Iraque.

"Nós não levamos as acusações americanas a sério", disse Kazemi, em entrevista na embaixada iraniana após o encontro.

Apesar da negativa iraniana, Crocker e outros representantes diplomáticos que o acompanharam na reunião teriam insistido na necessidade de o Irã cortar a suposta ajuda que fornece à militância xiita que combate o governo iraquiano e as forças internacionais, lideradas pelos Estados Unidos, que atuam no país.

Ainda assim, Crocker definiu as conversas, que duraram cerca de quatro horas, como "sérias" e disse que os Washington consideraria uma proposta iraquiana para instituir um "mecanismo trilateral de segurança" que unisse Iraque, Irã e Estados Unidos.

Segundo o embaixador americano, ele e Kazemi concordaram que é interesse de ambos ter um Iraque democrático e em paz com os seus vizinhos.

Discurso iraniano

No entanto, em entrevista a uma rádio iraniana, o embaixador disse que o que ficou "claro e transparente" nas discussões foram os "problemas" causados pelos Estados Unidos no Iraque.

"O primeiro problema nesse caso (o da segurança) foi não entregar o comando ao governo iraquiano", disse Kazemi.

O segundo ponto criticado pelo diplomata iraniano foi uma força de segurança sem o treinamento e os equipamentos necessários - o que, segundo ele, também ocorre por falha dos americanos, que se comprometeram a fortalecer as forças iraquianas.

"Outro ponto que nós levantamos foi o comportamento muito ruim dos soldados americanos com as pessoas. Eles se comportam muito mal e de forma desrespeitosa"., afirmou Kazemi.

O próprio embaixador americano no Iraque havia relatado, antes da coletiva de Kazemi, as críticas do iraniano à "ocupação" americana e ao esforço inadequado pra treinar e equipar as forças de segurança iraquianas.

Crocker disse ter rejeitado as acusações ao dizer que as forças internacionais estavam no Iraque a pedido do governo iraquiano e que a coalizão havia investido bilhões de dólares para treinar e equipar as forças iraquianas.

Mas uma cópia do discurso que Kazemi fez durante o encontro, divulgada pelo goveno iraniano, indica que a maior parte foi usada para enumerar as atitudes tomadas pelo Irã para ajudar o Iraque desde a queda de Saddam Hussein, e não para atacar a política externa americana.

Ahmadinejad

Já o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse após o encontro que os Estados Unidos haviam enviado mais de 40 mensagens a Teerã pedindo a realização do encontro em Bagdá.

"Eu pedi repetidamente que eles submetessem um pedido formal e eles acabaram fazendo isso", afirmou Ahmadinejad a um grupo de estudantes.

Segundo o presidente iraniano, partiu dele a determinação de não ampliar a pauta da reunião para além da situação no Iraque.

"Na carta, eles disseram que haviam deixado a agenda aberta para que nós pudéssemos negociar sobre qualquer outra questão, mas eu lhes dei uma resposta negativa."

Há uma série de assuntos que opõem Washington a Teerã, incluindo a recusa iraniana em ceder às pressões internacionais para suspender o seu programa nuclear.

Enquanto a reunião era realizada, houve uma grande explosão perto de uma importante mesquita sunita em Bagdá. Segundo a polícia, pelo menos 20 pessoas foram mortas e 70 ficaram feridas.

O encontro desta segunda-feira foi o de mais alto nível entre Estados Unidos e Irã desde que os dois países cortaram relações diplomáticas, em 1980.

À época, a Revolução Islâmica iniciada em 1979 pelo aiatolá Khomeini provocou o afastamento entre os dois países. As relações entre Estados Unidos e Irã pioraram após a invasão da Embaixada americana em Teerã, no mesmo ano.

Ao dar início às discussões, Maliki disse que espera que elas abram caminho para outras reuniões. O governo iraquiano pretende convidar os dois lados para se encontrar novamente.

Jim Muir, correspondente da BBC em Bagdá, afirma que, dadas as tensões existentes entre Irã e Estados Unidos, o simples fato de ter havido o encontro já é significativo.

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