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Atualizado às: 02 de maio, 2007 - 12h27 GMT (09h27 Brasília)
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Apesar do frio, Rússia se impõe como opção para craques brasileiros

Jogadores brasileiros no CSKA
CSKA tem cinco jogadores brasileiros, entre eles Vágner, Jô e Ramón (segundo, terceiro e quinto da esquerda)
Atraídos pelo bom dinheiro e a receptividade cada vez maior dos torcedores, os brasileiros estão tomando conta dos campos de futebol russos.

A cada ano, novos jogadores são atraídos pelo altos salários pagos por clubes do país, que, acredita-se, podem girar em torno de US$ 100 mil (cerca de R$ 200 mil) mensais.

Hoje há vários brasileiros em pelo menos dois dos principais clubes russos e, aos poucos, o país parece caminhar para se tornar destino popular para jogadores brasileiros no exterior, a exemplo de Itália, Espanha, Portugal e Alemanha.

Cerca de 70 jogadores brasileiros passaram pelos clubes russos nos últimos dez anos.

Abertura

"A abertura, no futebol, começou aos poucos", diz o técnico de futebol Vitaly Shevchenko, que trouxe para a Rússia os primeiros jogadores estrangeiros.

"O dinheiro começou a aparecer mesmo depois do ano 2000", acrescenta.

Hoje, segundo o jornalista esportivo Vasily Konov, os clubes russos são patrocinados por grandes empresas, como Lukoil e Gazprom, por isso conseguem comprar tantos jogadores.

O CSKA de Moscou, por exemplo, é um dos times que mais tem investido em jogadores brasileiros. São cinco: Vágner Love, Jô, Dudu Cearense, Daniel Carvalho e Ramón.

O meio-campista Ramón foi a mais nova aquisição. O time teria pago o equivalente a mais de R$ 16 milhões pelo jogador.

Além disso, desde janeiro, o clube russo levou a Moscou o preparador físico da seleção, Paulo Paixão.

Pagamento em dia e visibilidade

Mas é só o dinheiro que atrai os jogadores?

"Nem todo mundo vem por causa do dinheiro", afirma o zagueiro Géder, de 29 anos, um dos primeiros brasileiros a se aproveitar dessa nova onda de investimentos no futebol russo.

Ele começou no Saturno e hoje está no Spartak de Moscou.

Géder (de vermelho, no centro) em jogo do Spartak de Moscou
Géder foi um dos primeiros a chegar, há cinco anos

"Eu acredito que é mais uma opção de trabalho mesmo. Há outros países que são piores do que a Rússia, porque são mais distantes ou muito quentes", completou.

Mozart, meio-campista do Spartak, diz que o pagamento em dia também conta.

"É importante saber que você vem aqui e vai receber o seu salário em dia. O futebol brasileiro tem passado por um período difícil no qual salários atrasados são uma coisa comum", afirma.

E alguns lembram que o futebol russo também já é sinal de visibilidade.

"O futebol russo está crescendo. Nós vemos Vágner, Dudu e Daniel sendo chamados para a seleção, então eu acho que isso mostra como o futebol russo é importante hoje e nos dá esperança de que a gente possa a vir jogar na seleção e também incentiva outros brasileiros que estão em casa e querem vir para a Europa", afirma o atacante Jô, do CSKA.

Frio e futebol

Odisséia russa
Os primeiros brasileiros a jogarem na Rússia foram André da Silva e Mário Júnior, que chegaram em1995 ao Lokomotiv de Nuzhny Novgorod.
O jogador brasileiro com mais tempo de Rússia é Samoroni, que jogou em 6 clubes, passou 8 anos no país e aprendeu a falar russo.
Com 32 gols em 102 jogos, Luis Robson foi o jogador latino-americano que mais gols fez na Rússia.

Entre as principais dificuldades enfrentadas pelo jogadores brasileiros para se adaptarem ao país - tão distante de casa - a maior é o frio.

"Nós chegamos a jogar um jogo pela Copa da Rússia, na Sibéria, com 26 graus negativos. O campo coberto de gelo, é bem inusitado, mesmo porque no Brasil isso é impossível de acontecer", diz o meia Mozart.

Quando faz muito frio, os jogadores têm permissão para jogar de luvas e, se há neve, uma bola de cor laranja é usada.

Outro obstáculo é a língua, considerada muito difícil. Mesmo quem está no país há alguns anos, como Géder, ainda precisa de intérprete.

"Eu sei o básico do dia-a-dia. Para comprar, para comer, isso você precisa aprender. Mas para uma conversa séria, ainda precisa do intérprete", afirma.

Os jogadores também têm de se adaptar à maneira de jogar futebol, diferente da brasileira.

"A diferença do futebol brasileiro é que não tem muito contato físico como tem aqui. Às vezes aqui, também, você tem que deixar a sua técnica de lado e ajudar na marcação, se esforçar um pouco para tirar a bola, então está sendo um pouco diferente para mim", diz o meia Ramón.

Resistência

E nem todo mundo vê com bons olhos a chegada de tantos jogadores estrangeiros.

O ex-jogador da seleção russa, Nikolay Pisarev, diz não ser contra a presença de estrangeiros, mas acredita que deve haver um limite.

"Não importa quantos estrangeiros o clube tem, mas, no campo, não deveria haver mais de três ou quatro", afirma.

Géder afirma que o fato de o CSKA ter vários jogadores brasileiros e estar conquistando mais espaço em campeonatos europeus tem contribuído para uma aceitação maior dos estrangeiros.

"No geral, eles não aceitam (a presença de estrangeiros). Eles só respeitam porque o CSKA é um time que não ganha só aqui, é um time que ganha na Europa também, então eles têm de aceitar", afirma.

O time dos que defendem a presença dos estrangeiros parece aumentar.

Para o técnico Shevchenko, a Liga russa passou a ficar mais forte a partir do ano 2000 justamente por causa da entrada dos estrangeiros.

"Os exemplos são óbvios", afirma. "O CSKA ganhou a Copa da UEFA (em 2005), Spartak passou a ter um bom desempenho em nível internacional", completa.

Já o agente de esportes German Tkachenko diz que o impacto positivo dos estrangeiros, principalmente brasileiros, é óbvio.

"Nós vemos, ao redor do país, crianças russas imitando os lances de Jô. A gente só pode torcer para que os jogadores russos aprendam com os brasileiros", afirmou.

O zagueiro Géder em jogo do Spartak de MoscouCraques na Rússia
Brasileiros conquistam futebol russo.
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Vágner Love e Jô em treino do CSKA'Panelinha' no CSKA
Brasileiros estariam formando 'time' à parte.
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