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Atualizado às: 06 de abril, 2007 - 13h14 GMT (10h14 Brasília)
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ONU diz que até 25% da Amazônia pode desaparecer até 2080

Rio Amazonas
Desmatamento deve seguir crescendo até 2010
O aquecimento global pode levar ao desaparecimento de 10% a 25% da floresta amazônica até 2080, confirma a segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgada nesta sexta-feira em Bruxelas.

"Há 50% de probabilidade de que a floresta dê lugar a uma vegetação de cerrado. A extensão dessa transformação vai depender de quanto a temperatura global subir. No cenário mais pessimista, isso significaria 25% da Amazônia", explicou, em entrevista à BBC Brasil, Graciela Magrin, coordenadora do capítulo dedicado à América Latina.

Ao longo da semana, os especialistas do IPCC analisaram diversas simulações feitas por computador para chegar a um consenso sobre a extensão da possível perda de floresta.

Muitas sugeriam a substituição de grande da vegetação nativa, e a mais pessimista delas, do Hadley Centre, mostrava o ecossistema desaparecendo até o ano 2080.

No relatório aprovado e divulgado nesta sexta-feira, o painel de especialistas da ONU estima que a floresta continuará sofrendo o desmatamento que, segundo o relatório, deve seguir aumentando pelo menos até 2010.

"Nesse ano, 18 milhões de hectares da floresta já terão dado lugar a cultivos agrícolas, não só na parte brasileira, mas em toda a América do Sul", afirmou Magrin.

Isso contribuirá para o desaparecimento de diversas espécies de animais na região amazônica e no cerrado brasileiro.

Agricultura

A mudança climática também terá impacto sobre a produção agrícola da região Sudeste.

Segundo a coordenadora, São Paulo perderá uma importante área de cultivo de café, inutilizada por causa do aquecimento.

"Ainda não podemos quantificar essa área, mas se o aumento da temperatura for muito alto, será muita terra", afirmou Magrin.

Ao mesmo tempo, o documento da ONU prevê que a área de cultivo de soja no sul da América do Sul aumente de 38 milhões a 54 milhões de hectares.

"Isso que dizer que algum tipo de vegetação nativa terá que desaparecer para dar lugar a todo esse cultivo. E isso é um problema para o meio ambiente", alerta Magrin.

Água

No Nordeste do Brasil, o maior problema será o aumento da seca e da falta de água. O IPCC prevê que 75% das fontes de água do Nordeste secarão até 2050.

A região poderá passar de zona semi-árida a zona árida, e as consequências dessa mudança afetarão a alimentação, sanidade e saúde da população local.

"Se o governo não tomar medidas preventivas, os moradores dessa região enfrentarão grandes problemas, principalmente com a diarréia. É uma doença boba, mas nas condições de vida projetadas pelo IPCC, com falta de água potável, má alimentação e sanidade precária ou inexistente, isso pode matar muita gente", explicou a coordenadora.

Dentro da América do Sul, a falta de água afetará com mais força as localidades do Nordeste brasileiro e dos Andes bolivianos.

Por outro lado, a ONU alerta para problemas de inundações na região do rio da Prata, ao sul do continente.

"Enquanto o sul se inunda, o norte morre de sede. É um paradoxo difícil de ser mudado", lamenta Magrin.

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