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Fidel 'não entendeu' programa de etanol, diz Marco Aurélio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse nesta quarta-feira que há “uma incompreensão” na crítica do presidente cubano Fidel Castro ao programa de biocombustíveis do governo americano – em conjunto com o governo brasileiro. “Está havendo uma certa incompreensão, na medida em que a posição que o presidente Castro tem defendido é que a produção do biocombustíveis criaria problemas para a produção de alimentos”, disse Garcia em Brasília, ao ser questionado por jornalistas. “No caso brasileiro e de todos os projetos aos quais nós estamos nos associando não é esta a realidade”, afirmou. Ele disse que “todo mundo sabe que a fome do mundo não é um problema de falta de alimentos, é de renda”. “E em segundo lugar, o que nós temos demonstrado é que as terras agricultáveis no Brasil para biocombustíveis não são terras próprias para produção de alimentos”, afirmou. Ele ainda ressaltou que os projetos brasileiros de biocombustíveis não vão resultar na derrubada “de nem uma árvore da floresta amazônica ou de qualquer nicho ecológico brasileiro”. O presidente Fidel Castro escreveu nesta quarta-feira um novo artigo no diário Granma, do Partido Comunista cubano, em que chama de "internacionalização do genocídio" a iniciativa americana de produção de biocombustíveis em grande escala. No artigo, Fidel critica o encontro entre os presidentes americano e brasileiro, George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva, em Camp David, para discutir o assunto no último fim de semana. "Não é minha idéia atacar o Brasil, nem me envolver em assuntos relacionados com a política interna deste grande país", escreveu Fidel. Mas, segundo o líder, "ninguém em Camp David respondeu a questão fundamental: onde e quem vai fornecer os mais de 500 milhões de toneladas de milho e outros cereais que Estados Unidos, Europa e os países ricos necessitam para produzir a quantidade de galões de etanol que as grandes empresas norte-americanas e de outros países exigem como contrapartida de seus grandes investimentos?" Pelos cálculos do presidente cubano, o excedente de alimentos disponível no mundo é de apenas 80 milhões de toneladas de grãos. No entender do líder socialista, a demanda restante teria de ser atendida convertendo-se áreas de produção de alimentos em áreas de produção de matérias-primas de biocombustível. "Bush, em Camp David, declarou sua intenção de aplicar esta fórmula em nível mundial, o que não significa outra coisa senão a internacionalização do genocídio." Resposta O artigo desta quarta-feira mantém o mesmo tom de outro publicado no Granma no dia 29 de março. Nele, Fidel sustentava que o cultivo de cana-de-açúcar para fabricação de biocombustível significaria "condenar à morte" 3 milhões de pessoas no mundo. A crítica suscitou uma resposta de Dan Fisk, funcionário do Conselho de Segurança americano para o hemisfério. ''Se existe alguém que sabe como criar fome é Fidel Castro, mas ele também sabe como não fazer etanol'', afirmou o funcionário americano. Nesta quarta-feira, Fidel ofereceu uma tréplica. "Vejo-me no dever de recordar a este cavalheiro que o índice de mortalidade infantil em Cuba é menor que o dos Estados Unidos. Pode ter certeza de que não existe cidadão algum sem assistência médica gratuita." "Todo mundo estuda e ninguém carece de oferta de trabalho, apesar de meio século de bloqueio econômico e da tentativa de governos dos Estados Unidos de levar à rendição o povo cubano por fome e asfixia econômica", disse Fidel. |
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