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Atualizado às: 25 de março, 2007 - 19h54 GMT (16h54 Brasília)
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Blair lamenta papel da Grã-Bretanha em tráfico negreiro
Blair em evento para comemorar proibiçaõ do tráfico de escravos, em Downing Street, em janeiro
Blair não chegou a fazer pedido de desculpas formal
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, expressou no domingo, 200º aniversário da lei que proibiu o tráfico de escravos no Império Britânico, "profundo pesar e tristeza" pelo papel do país no comércio de escravos.

Em uma mensagem de vídeo gravada, Blair disse que a legislação aprovada em 25 de março de 1807 começou a dar fim a "uma das mais vergonhosas empreitadas da história".

"Esta é uma oportunidade para o Reino Unido expressar o nosso profundo pesar e tristeza pelo papel da nossa nação no comércio de escravos e pelo sofrimento insuportável, individual e coletivo, que causou", afirmou o primeiro-ministro, que está na Alemanha participando das comemorações de 50 anos da União Européia.

Na mensagem transmitida pela TV britânica, Blair disse também que ainda há muito a ser feito para combater formas modernas de escravidão, como o uso de crianças em conflitos armados e o tráfico de pessoas.

A organização Anti-Slavery International, com sede em Londres, divulgou nesta semanam por ocasião do bicentenário, um relatório denunciando que diversos setores da economia britânica ainda usam mão-de-obra escrava.

Nessa escravidão contemporânea, cidadãos do leste e do centro da Europa, do sudeste asiático e da América do Sul – inclusive brasileiros – seriam atraídos com promessas de emprego para acabar submetidos ao trabalho forçado sem rendimento ou com salário muito abaixo do mínimo.

Desculpas

Blair, no entanto, não chegou a pedir desculpas pela Grã-Bretanha, como pedia o arcebispo da cidade de York John Sentamu, entre outros.

No início deste mês, Blair chegou a dizer, após um encontro com o presidente de Gana, John Kufuor, que "já havia pedido desculpas e que pediria de novo" pelo papel da Grã-Bretanha na escravidão.

Mas para o arcebispo de York, isso não foi suficiente e o premiê britãnico deveria fazer um pedido de desculpas formal.

"Uma nação dessa qualidade deveria ter o bom senso de dizer nós pedimos desculpas e temos de deixar claro o que aconteceu", disse John Sentamu à BBC.

A mensagem também fez parte das celebrações em Gana, onde os comerciantes portugueses construíram o primeiro posto permanente de tráfico de escravios, em 1492.

A líder da Câmara dos Lordes e a primeira ministra negra da Grã-Bretanha, Baronesa Valerie Amos, participa das celebrações no país africano.

Ela própria descendente de escravos, Amos descreveu o comércio de escravos como um dos capítulos "mais incômodos e vergonhosos" da história britânica.

Acredita-se que três milhões de negros tenham sido ltransportados em navios britânicos entre 1700 e o início do século 19.

Pela lei de 1807, passou-se a pagar uma multa por cada escravo encontrado em uma embarcação britânica. Mas a escravidão só foi abolida nas colônias britânicas em 1833.

O responsável pelo Programa Internacional de Combate ao Trabalho Escravo da OIT, Roger Plant (Foto: Antonio Cruz/ABr)Relatório
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