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Atualizado às: 09 de março, 2007 - 20h22 GMT (17h22 Brasília)
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Nadador esloveno diz não ter visto poluição no rio Amazonas
Martin Strel
Martin Strel foi recebido com festa na cidade de Juari
O nadador sloveno Martin Strel, de 52 anos, que tenta cruzar o rio Amazonas a nado, disse que até agora não viu sinal de poluição nem de deflorestamento.

Martin deve chegar a Manaus no próximo dia 14, já tendo cruzado mais de 3,3 mil quilômetros desde o dia 1º de fevereiro, quando começou a façanha na cidade de Atalaya, no Peru.

O nadador deve terminar a aventura em meados de abril, quando pretende atingir a cidade de Belém.

A BBC tem acompanhado a trajetória de Martin Strel, e uma vez por semana ele responde às perguntas enviadas pelos internautas.

Com a maré

O nadador disse que as temperaturas mais amenas que tem encontrado nesta etapa brasileira do percurso têm facilitado sua tarefa. "O calor forte do Peru queimou a pele do meu rosto e me obrigava a parar a cada 20 minutos para beber água senão poderia desidratar."

Martin disse que tem nadado cerca de 90 quilômetros por dia e que está à frente do planejado. "Começo a nadar às 7h30 e vou até pouco antes de escurecer, por volta das 17h30. Paro para almoçar e várias vezes para beber água, mas evito nadar à noite. "

O nadador prevê que, quando se aproximar da foz, terá que nadar à noite. "Perto da foz, vou ter que nadar de acordo com o ciclo das marés que mudam a cada 6h. Não vou conseguir nadar contra a corrente da maré cheia. É muito forte, impossível nadar. Só vou poder nadar na maré vazante. Aí não tenho escolha."

Atualmente, a maior preocupação de Martin é com o estado de saúde de alguns membros da equipe de apoio.

Doenças

O nadador diz que a chuva intensa e constante fez cair a temperatura e sete integrantes de sua equipe adoeceram.

"O barco de apoio não é grande e o pessoal fica em compartimentos pequenos, um perto do outro, o que aumenta o risco de contágio. Nem o médico da equipe tem conseguido evitar a disseminação de infecções. Há gente com infecção de garganta e até pneumonia."

Martin disse que continua sem ter problemas com animais selvagens. "Outro dia vimos uma onça. Ela estava na margem. Não deu para tirarmos uma foto porque estávamos distante e tudo foi muito rápido. Ela nos observou e depois sumiu na floresta. Ainda ouvimos o grunhido dela vindo de dentro da floresta."

O nadador ainda mandou um recado aos internautas que perguntaram sobre o perigo da sucuri.

"Tenho a dizer que minha equipe está atenta. Pesquisamos bastante sobre o comportamento dos animais na Amazônia e conto com gente que conhece muito bem o rio e a região. Para diminuir os riscos procuro sempre nadar no meio do rio e nunca junto às margens. O pessoal do barco que vai à minha frente tem visto muitas cobras. Eles tentam afastá-las ou me avisam para que eu pare de nadar até que a cobra se afaste."

"Encontro muitos pedaços de madeira flutuando no rio, às vezes pedaços inteiros da margem são arrancados pela correnteza e levados rio abaixo como se fossem ilhas flutuantes. Logicamente é um local de refúgio para os animais. Tento evitá-los sempre que posso", acrescentou o esloveno.

Festa

Martin contou à BBC a surpresa agradável que teve ao chegar à cidade ribeirinha de Juari. "O prefeito decretou feriado escolar para que as crianças pudessem me receber. Os pais levaram os filhos rio acima para me esperarem e seguir nadando comigo. Eles gostam muito da aventura. Fico muito contente em sentir que as pessoas estão felizes e que esse é um momento importante para eles."

O nadador respondeu àqueles que perguntaram sobre a degradação da natureza. "Desde o Peru até aqui, o rio é limpíssimo, sem sinais de poluição. Pode ser que quando chegue mais perto de cidades grandes encontre sinais de poluição, mas por enquanto só vi limpeza e natureza pura no rio Amazonas."

Ele disse que não se impressiona com a água barrenta, cheia de sedimentos. "Ela não tem cheiro de água poluída. E não vi sinais de devastação nas margens também. Tudo muito pacífico. As pessoas pescando e lavando roupa, parecendo bem integradas ao rio."

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