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Atualizado às: 08 de março, 2007 - 19h14 GMT (16h14 Brasília)
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Americanos em SP se dizem poupados de aversão aos EUA

o presidente George W. Bush
Políticas de Bush teriam piorado imagem dos EUA no exterior
Americanos que vivem em São Paulo disseram à BBC Brasil que não se sentem pessoalmente afetados por um sentimento de antipatia que acreditam que o país compartilha com o resto do mundo em relação aos Estados Unidos.

"Em termos pessoais não há o menor problema em ser americano, me sinto bem acolhido pelas pessoas", conta o professor de História e vice-diretor do colegial da Escola americana Graded, Jeff Lippman, californiano que vive no Brasil há dez anos.

Lippman e outros americanos entrevistados pela BBC Brasil acreditam que os brasileiros fazem uma clara distinção entre os cidadãos e o governo dos Estados Unidos, mas reconhecem que a imagem do seu país mudou para pior durante o governo de George W. Bush.

"Há dez anos todo mundo adorava (os Estados Unidos). Os próprios republicanos se perguntam como as coisas mudaram tanto", diz o escritor Jason Bermingham, que representa no Brasil a ONG Democrats Abroad (ligada ao Partido Democrata, de oposição a Bush).

Bermingham participa com outros democratas e republicanos de uma campanha para "mostrar para o brasileiro o que estamos fazendo pelo Brasil".

”Anti-Bushismo”

Lippman diz que, por ser fluente em português, as pessoas muitas vezes se esquecem que ele é americano e se constrangem ao perceberem que disseram algo negativo sobre os Estados Unidos.

 Prefiro preservar relacionamentos a falar sobre política. Se falo, é em tom de brincadeira.
John W. Kennedy, americano que vive há 12 anos no Brasil

"As pessoas me dizem 'você é um americano diferente, você é quase um brasileiro’ como um elogio", diz Lippman, para quem os brasileiros se sentem ambivalentes em relação ao seu país.

"É uma coisa dupla - de fascínio e ao mesmo tempo, de um certo desrespeito, rancor, raiva", diz.

Para o colunista do jornal O Estado de S. Paulo Matthew Shirts, existe hoje mais "anti-Bushismo" do que antiamericanismo, que, segundo ele, já esteve mais forte no Brasil.

"Havia um antiamericanismo difuso que Bush, com sua postura antipática, conseguiu concentrar nele", diz Shirts.

Há 25 anos no Brasil, ele diz que o sentimento de hostilidade aos Estados Unidos "já foi e voltou" em diversos momentos e que paradoxalmente, na visão dele, um dos piores aconteceu poucos meses depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Já Lippman acredita que, embora o Brasil, como outros países da América Latina, tenham "um certo rancor" em relação aos EUA desde os tempos da Guerra Fria, esse sentimento partia antes principalmente de intelectuais e teria se tornado mais generalizado desde a invasão do Iraque.

"Quando (Bush) entrou, era visto como uma piada, inócuo, mas quando ele começou a reagir a 11 de setembro, ficou claro que era uma ameaça."

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