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Jornais gratuitos invadem ruas de Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os jornais de graça tomaram conta das ruas de Londres. Além do Metro e do City AM, distribuídos pela manhã, a cidade tem agora dois outros jornais de graça que saem no fim do dia - o thelondonpaper e o LondonLite, com uma circulação diária de cerca de 400 mil cópias cada um. Os dois jornais são publicados por duas das maiores empresas de mídia da Grã-Bretanha. A News International, de Rupert Murdoch, que publica jornais como o The Times e o The Sun, agora distribui o thelondonpaper e a Associated Newspapers, que publica o Daily Mail e o Evening Standard, agora distribui, além do Metro, o LondonLite. Para o professor Roy Greenslade, especialista em mídia da City University, os jornais gratuitos são a alternativa encontrada pelas grandes empresas jornalísticas para enfrentar a revolução causada pela internet. "O que acontece é que os jornais estão saindo de moda. Por causa do avanço da internet, as pessoas acreditam que a notícia deve ser de graça", diz Greenslade. "As empresas acreditam que ainda têm um lugar valioso para oferecer aos anunciantes e acham que os jornais de graça são a alternativa", completa Greenslade. A invasão dos jornais de graça em Londres confirma uma tendência mundial, que começou com o lançamento do Metro na Suécia, em 1995, e hoje já é uma realidade nas principais cidades européias, em Nova York e também no Brasil, que, além do Destak, verá em breve o lançamento do Metro. Além disso, é cada vez mais comum o investimento de grandes empresas jornalísticas nos jornais gratuitos. Nesta semana, foi lançado o terceiro matutino gratuito da capital francesa - o MatinPlus. O jornal pertence ao grupo Bolloré - que tem outras publicações gratuitas - e ao tradicional Le Monde, que havia criticado a chegada dos gratuitos à França, em 2002. Mania Os jornais gratuitos são populares. Nos ônibus e nos vagões de trem e de metrô de Londres, milhares lêem os tablóides recheados de notícias de celebridades. "Você consegue ter uma variedade de notícias em diferentes horários do dia. E me ajuda no meu caminho para o trabalho e de volta para casa", diz o funcionário público Jonathan Bottomer, que, agora, só compra jornal aos domingos. Mas há quem discorde da noção de que notícia tem de ser de graça. "Informação que as pessoas não pediram não é construtiva. E, por outro lado, é recurso natural que sai, árvores que são abatidas, e que não tem finalidade, que vai parar no lixo.", diz o brasileiro Carlos Maximiano, que é gerente de restaurante em Londres. Impacto É ainda cedo para prever o impacto que os jornais gratuitos terão na circulação dos jornais pagos. Quando o thelondonpaper foi lançado, há cinco meses, o editor do jornal, Stefano Hatfield, disse acreditar que a publicação viriam a ajudar os jornais pagos ao criar "novos leitores". Mas Greenslade discorda. "A idéia de que jornais de graça podem estimular o interesse em jornais pagos é simplesmente ridícula. Não aconteceu", afirma Greenslade. Para ele, a queda registrada na circulação do único jornal vespertino pago de Londres - o Evening Standard, que teve circulação de Mas para Greenslade, o pior impacto será que os jovens, já acostumados a recorrer à internet e à TV quando grandes eventos acontecem, não irão criar o hábito de ler jornais considerados "sérios". Lixo Mas com a mesma facilidade com que pegam os jornais, os adeptos da nova tendência também se livram deles. Segundo o Westminster City Council, responsável pela coleta de lixo na área central de Londres, os jornais gratuitos estão gerando cerca de três toneladas de lixo extras todos os dias. Atualmente, existem 131 pontos de coleta de reciclagem no centro da cidade e o Council quer instalar mais 300. O custo de instalação e de pessoal para fazer a coleta será de 500 mil libras (cerca de R$ 2 milhões) nos próximos dois anos, segundo o departamento. Agora, o Council quer que as empresas que publicam os jornais ajudem e arcar com esse custo. Do contrário, as autoridades já pensam na possibilidade de invocar uma recente legislação de proteção ao meio ambiente, o Clean Neighbourhood and Environment Act 2005, para proibir a distribuição dos jornais em algumas áreas. *colaborou Daniela Fernandes, de Paris. |
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