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EUA buscam aproximação com Brasil para conter Chávez, diz Peter Hakim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presença de duas delegações do alto escalão do governo americano na mesma semana no Brasil seria uma forma que o governo dos Estados Unidos encontrou para conter a influência na América Latina do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É essa a opinião de Peter Hakim, presidente do instituto de pesquisas políticas baseado em Washington Inter-American Dialogue, a respeito das viagens do subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado americano, Nicholas Burns, que partiu para o Brasil nesta segunda-feira, e do secretário de Justiça americano, Alberto Gonzalez, que segue para o país no final desta semana. ''É importante para os americanos manter uma boa relação com o Brasil em um momento em que os Estados Unidos estão sendo desafiados na América Latina'', afirmou Hakim, em referência à políticas do presidente Chávez. O analista não acredita, no entanto, que o governo americano venha tentar pressionar o Brasil a isolar o presidente da Venezuela de alguma forma. ''Os Estados Unidos não esperam que o Brasil venha a se opor ou a criticar a Venezuela, mesmo porque tem mantido uma política bem pragmática a esse respeito, mas o Brasil é visto como um líder natural na América Latina e promover o país é uma maneira de reduzir a importância de Chávez.'' Na semana passada, o líder venezuelano foi objeto de fortes críticas do recém-indicado subvice-secretário de Defesa dos Estados Unidos, John Negroponte. Ele afirmou que Chávez representa uma ameaça à democracia latino-americana. Washington também criticou o anúncio feito pelo líder da Venezuela de que ele pretende nacionalizar empresas de telefonia e petrolíferas da Venezuela. O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que a política de estatizar companhias privadas ''tem um longo e inglório histórico de fracasso em todo o mundo". Objetivos Hakim diz acreditar que além de reduzir a influência de Chávez, os Estados Unidos também buscam estabelecer uma agenda comum com o Brasil, em especial no tema de energia e biocombustíveis. ''Estabelecer uma cooperação a respeito de etanol seria natural e produtivo, uma vez que o presidente Bush tem falado constantemente sobre a importância de investir em biocombustíveis, ainda mais agora com vistas à viagem do presidente Lula aos Estados Unidos'', afirmou, em relação à visita prevista pelo líder brasileiro a Washington ainda neste trimestre. O analista não vê atualmente chances de os dois países firmarem acordos definitivos ligados ao etanol. ''É difícil prever um avanço neste momento. As políticas domésticas em ambos os países devem dificultar progressos significativos.'' O mesmo problema, no entender de Hakim, deve acometer avanços ligados às discussões internacionais sobre a redução de subsídios agrícolas. Os subsídios que americanos e europeus destinam ao setor agrícola levaram ao colapso das negociações sobre liberalização do comércio mundial na Rodada de Doha, no ano passado, após Brasil, União Européia e Estados Unidos terem chegado a um impasse. ''Sobre este tema, não há muito que o Brasil possa fazer. Isso tem mais a ver com a política doméstica americana. Estas negociações tendem a ser extremamente complexas. O jeito é esperar para ver como elas irão transcorrer.'' |
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