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Atualizado às: 16 de dezembro, 2006 - 00h46 GMT (22h46 Brasília)
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Brasil paga três vezes mais a deputados do que Argentina

Palacio do Congresso argentino
Os parlamentares argentinos temem aumentar os seus salários.
Os salários pagos a parlamentares argentinos são cerca de três vezes menores do que os valores aprovados pelos congressistas brasileiros.

Na Argentina, deputados e senadores recebem salário bruto com valores entre oito mil e dez mil pesos (entre R$ 5,600 e R$ 7,040), dependendo se usam avião ou carro como transporte para o Congresso Nacional, na capital do país.

Deputados e senadores do Brasil aprovaram na quinta-feira um aumento de 92% nos vencimentos – de R$ 12.720 para R$ 24,6 mil mensais.

No contracheque, hoje, o valor líquido que os parlamentares argentinos recebem é de cinco mil e novecentos pesos (cerca de US$ 2 mil), já descontados os 17% equivalentes a plano de saúde, previdência social mais impostos.

O valor bruto é de aproximadamente sete mil pesos. Mas a este valor somam-se vinte tramos (idas ou voltas) de passagens de avião por mês e mais mil e duzentos pesos de ajuda de custo (pelo que chamam “desaraigo” – residência fora de casa, em Buenos Aires).

Adições

Os que quiserem podem trocar as passagens de avião por dinheiro e somar outros quatro mil pesos (cerca de US$ 1.3 mil) à renda mensal. A opção é comum entre os parlamentares que vivem em Buenos Aires ou nas redondezas, que usam carro e descartam a passagem aérea, ficando com o dinheiro no bolso.

Os gastos com telefonemas também são controlados. Cada legislador paga os gastos com telefone celular do seu próprio bolso. Telefonemas nacionais feitos a partir do gabinete são liberados, mas ligações internacionais são possíveis somente via telefonista – uma maneira de limitar gastos.

Em relação a automóveis oficiais, o rigor é ainda maior, com só aqueles deputados que têm necessidade real sendo atendidos, havendo até mesmo limite de vagas na garagem.

Além disso, cada legislador pode contratar três assessores, com salário bruto de três mil pesos (US$ 1 mil) cada um. Estes recursos estão ligados à administração do Congresso Nacional.

Os legisladores argentinos passaram a década de noventa com salários congelados. Na época, quando o peso, a moeda local, era atrelado ao dólar, eles recebiam cerca de quatro mil pesos (que no regime de conversibilidade era o mesmo que US$ 4 mil).

"Nem pensar"

Com a desvalorização do peso, em 2002, eles passaram a receber pouco mais de US$ 1 mil. Mas com a pior crise política e econômica vivida pelo país, os deputados não puderam “nem pensar” em sugerir ajuste do salário, segundo assessores do parlamento.

Nos últimos quatro anos, ainda de acordo com auxiliares do Congresso, os legisladores ajustaram os próprios salários de acordo com o percentual determinado pelo governo para todos os trabalhadores.

Em junho deste ano, o ajuste foi de 19% - mesmo índice dado aos caminhoneiros e outros setores. Com isso, o salário liquida passou para cinco mil e novecentos pesos, o bruto para sete mil pesos – mais o cálculo das passagens de avião e os mil e duzentos pesos para ajuda na moradia em Buenos Aires.

Nos últimos tempos, os legisladores têm se queixado, nos bastidores, do salário e da ajuda de custos que recebem. Mas no governo, de acordo com assessores do Executivo, a idéia não foi bem recebida. Entre os parlamentares, temeu-se a rejeição dos argentinos, que na crise de 2001 perseguiam os legisladores e políticos em geral com 'panelaços'.

A sociedade responsabilizava a classe política pela crise e, na época, após a queda do presidente Fernando de la Rúa, o presidente interino Adolfo Rodríguez Saá congelou salários do Executivo em US$ 3 mil. Medida que levou legisladores a manterem salário congelado ate os últimos ajustes que obedecerão à regra geral, determinada pelo governo para diferentes setores.

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