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Atualizado às: 12 de dezembro, 2006 - 21h48 GMT (19h48 Brasília)
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Para Castañeda, ser de esquerda também não faz sentido

Hugo Chávez, Lula e Evo Morales
Para Castañeda, sul-americanos pertencem a esquerdas diferentes
O escritor mexicano e ex-ministro das Relações Exteriores do país, Jorge Castañeda, disse nesta terça-feira que também não vê muito sentido na esquerda tradicional, a exemplo do que disse esta semana o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Até mesmo o Lula disse hoje no jornal que ele não é mais de esquerda – e sim um social-democrata. Parece que para quem tem barba branca, ser de esquerda não faz muito mais sentido,” disse o mexicano em Nova York. Castañeda é atualmente professor de Ciência Política da New York University.

Ele foi um os palestrantes da VI Conferência Anual sobre a América Latina, promovida nesta terça-feira em Nova York pelo centro de pesquisas Americas Society/Council of the Americas.

Castañeda acrescentou que os políticos de esquerda latino-americanos se dividem em duas categorias. A primeira, a dos “pragmáticos”, reuniria líderes como o presidente Lula, além de Michelle Bachelet, do Chile, e Tabaré Vásquez, do Uruguai.

Segundo Castañeda, tais líderes seguem modelos econômicos austeros enquanto adotam políticas de redistribuição de renda em seus países.

“Retórica radical”

Por outro lado, na categoria de “esquerdistas populistas”, Castañeda enquadra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, da Argentina, Néstor Kirchner, Evo Morales, da Bolívia, e Daniel Ortega, da Nicarágua.

“Além de adotarem uma retórica mais radical, eles têm-se mostrado muito menos sensíveis a influências modernizadoras,” acrescentou.

Mas de maneira geral, para Castañeda, “os resultados da onda de eleições na América Latina em 2006 confirmam a tendência da emergência da esquerda na região.”

“Lula é um exemplo fascinante disso. Em 1989, quando ele se candidatou pela primeira vez à Presidência, teve 16% dos votos. Na última eleição, Lula teve 48,5% dos votos, o triplo de sua primeira eleição.”

Castañeda disse que as eleições de 2006 confirmam também que os eleitores latino-americanos estão abandonando progressivamente o voto clientelista, para escolher líderes de acordo com os próprios interesses.

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