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Atualizado às: 08 de dezembro, 2006 - 08h49 GMT (06h49 Brasília)
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Novas regras na Grã-Bretanha afetam visto para 'cérebros' do Brasil

Débora Paiva
Débora Paiva diz que mudanças nos critérios a beneficiaram
O governo da Grã-Bretanha anunciou mudanças nas regras para o Highly Skilled Migrant Programme – o Programa para Imigrantes Altamente Qualificados, ou HSPM, na sigla em inglês – que afetam brasileiros interessados em trabalhar no país.

Desde 2002, a iniciativa vem distribuindo vistos de trabalho para estrangeiros com alta qualificação profissional. No entanto, desde novembro, depois de uma suspensão do programa por quase um mês, as regras foram mudadas.

Para "garantir maior transparência e objetividade" no processo, baseado em um sistema de pontuação, o ministério do Interior britânico elevou o número mínimo de pontos para a aprovação de 65 para 75, ao mesmo tempo em que eliminou critérios, criou outros e detalhou melhor várias exigências.

Principais mudanças
Mínimo de pontos passa de 65 para 75.
Fim dos pontos para destaques acadêmicos e profissionais nos países de origem.
Novas faixas para renda anterior comprovada.
Formação: PhD passa de 30 a 50 pontos, Mestrado passa de 25 a 35; Nível superior passa de 15 a 30.
Experiência de trabalho: mínimo de 5 anos, pontuação pode variar entre 25, 35 e 50 pontos.
Criação de faixas etárias.
Novo critério para experiência profissional na Grã-Bretanha.

Para alguns brasileiros, as mudanças equivaleram a uma "mãozinha" providencial, mas para outros, o fim da linha.

"É uma porta fechada para os brasileiros", opinou à BBC Brasil a advogada especializada em imigração Daniela Crocce, da Lookfar Legal Consulting.

"Achei que piorou bastante. Se querem profissionais, vão acabar tendo que revisar os critérios daqui a um tempo."

Malas prontas

Não é o que acha a gerente de marketing Débora Paiva, que já estava de malas prontas para voltar para o Brasil quando soube das mudanças.

"Fui muito beneficiada. Saltei de um total de 65 pontos para 80, porque passei a marcar pontos com renda e experiência profissional aqui", afirmou Paiva, que concluiu um mestrado em uma universidade britânica, o que também elevou sua pontuação.

Caso semelhante ao do jornalista Paulo Ribeiro, que embora tenha perdido pontos com o fim de um critério que reconhecia publicações e conquistas extraordinárias na área de atuação do candidato, acha que saiu ganhando com as mudanças.

Para ele, os critérios do HSMP – que criaram uma tabela de pontuação com quatro faixas de idade entre 27 e 32 anos, numa progressão inversa entre idade e pontos – facilitaram a vida de jovens que já têm uma carreira profissional estabelecida.

O Ministério do Interior britânico afirmou que "a mudança não tem como objetivo facilitar ou dificultar a obtenção de pontos, e sim introduzir atributos que são melhores indicadores de sucesso no mercado de trabalho."

Plano 'B'

Ainda assim, brasileiros como a jornalista Néli Pereira, que hoje trabalha na Grã-Bretanha, estão sendo obrigados a rever os seus planos.

"Eu tinha feito noventa pontos. Antes não era necessário comprovar que tinha renda. Eu pontuo no acadêmico e na idade. Agora faltam 20 pontos", disse a jornalista, que por estar registrada como autônoma no país vai tentar um "plano B".

"Por sorte abriram a exceção para quem está tentando começar a vida como autônomo aqui. Agora estou preparando essa documentação."

Na opinião do advogado de imigração Alan Platt, da Barar, Platt & Associates, as mudanças deixaram o processo mais acessível para bons candidatos.

"As coisas estão muito mais claras. Além disso, eles acabaram com a possibilidade de se apresentar documentos forjados. E isso era muito comum entre candidatos de alguns países, como China, Índia e Paquistão", afirmou Platt.

A queixa do designer gráfico Marcos Figueiredo é diferente. Para ele, o governo britânico cometeu uma injustiça ao mudar os regulamentos do HSMP.

"É como mudar as regras no meio do jogo. Eu já tinha sido aprovado, apresentado todas as exigências e agora eles mudam tudo de novo. Desanima muito", disse Figueiredo.

A Grã-Bretanha enfrenta uma carência crônica de profissionais qualificados e abriu o HSMP em 2002 para facilitar a entrada de "cérebros" interessados em morar e trabalhar no país.

O número de brasileiros aprovados no programa foi de 95 em 2006 - de um total de 131 candidatos. Em 2002, apenas 13 pessoas se candidataram, e seis foram aprovados.

Os países com mais candidaturas ao programa são a Índia (8,3 mil aprovados para mais de 16 mil candidatos em 2006) e o Paquistão (1,8 mil aprovados para 4,8 mil candidatos em 2006).

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