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Oposição da Venezuela leva milhares às ruas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A oito dias das eleições presidenciais, centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da capital venezuelana neste sábado, em apoio ao principal candidato de oposição Manuel Rosales. Rosales, que enfrentará o candidato à reeleição, Hugo Chávez, dia 3 de dezembro, encerrou sua campanha confiante no triunfo, apesar de todas as pesquisas de intenção de voto indicarem a reeleição do atual presidente. “Essas pesquisas são manipuladas, compradas pelo governo. A verdadeira pesquisa diz que a Venezuela terá outro presidente dentro de poucos dias”, discursou Rosales frente a centenas de simpatizantes. Os manifestantes percorreram aproximadamente três quilômetros entre as principais avenidas da zona leste da cidade, reduto da oposição. Maria Cristina Hernandez, uma das simpatizantes que acompanhavam a marcha, concorda com seu candidato e não acredita nas pesquisas. “Nós somos maioria, não queremos comunismo ao estilo Castro. Rosales será presidente”, disse à BBC Brasil. De acordo com a última pesquisa de intenção de voto encomendada pela agência Associated Press (AP) e realizada pela empresa Ipsos, Chávez será reeleito com 32 pontos de vantagem sobre seu principal rival. Segundo a pesquisa, Chávez aparece com 59% das intenções de votos, Rosales ficaria com 27% da preferência do eleitorado e 13% continuam indecisos. Durante a sondagem, foram entrevistadas 2.500 pessoas entre os dias 10 e 18 de novembro. A pesquisa mostra que entre os setores populares Chávez é respaldado com 70% das intenções de voto, enquanto que Rosales somaria apenas 16% das preferências. Cartão de crédito para pobres Minutos antes do discurso de Manuel Rosales seus simpatizantes rezaram a oração do pai nosso. “Agradeço a Deus, à virgem e ao povo venezuelano esse apoio”, disse o candidato ao iniciar seu discurso. Rosales, que critica o atual governo, promete manter as “missões”, programas sociais destinados à população pobre. “Vamos manter, melhorar e criar novas missões”, afirma. O candidato prometeu a seus simpatizantes que a primeira medida que tomará caso ganhe as eleições será a implementação do cartão “Mi Negra”, sua principal promessa de campanha. “A primeira coisa que farei quando presidente será para atender o povo (...) vou firmar o decreto ativando o projeto do cartão ' mi negra'. Não vou presentear nossa riqueza a outros países. A riqueza do povo venezuelano será para os venezuelanos”, disse.
Rosales acusa Chávez de utilizar a renda petroleira para fazer acordos com seus aliados no continente. O candidato promete distribuir um cartão por meio do qual entregará mensalmente entre 300 a 500 dólares a 2,5 milhões de pessoas. O projeto do cartão 'Mi Negra” foi a principal estratégia de Rosales para tentar atrair os votos dos venezuelanos prometendo “redistribuir de maneira justa” a renda petroleira. Queima de fogos O encerramento da campanha foi festejado ainda na noite da sexta-feira com uma queima de fogos de artifícios nos bairros da zona leste da capital, transmitida ao vivo pelo canal de televisão Globovisión. O apoio que Rosales recebe dos meios de comunicação privados é evidente. O candidato canaliza a última esperança de parte dos grupos de oposição que vêem na saída eleitoral o único caminho para vencer o presidente Chávez, eleito em 1998. Para a disputa presidencial, a oposição teve que superar a incredulidade de seus eleitores - gerada pela própria oposição - em relação à transparência dos processos eleitorais no país. Além de não reconhecer os resultados do referendo de 2004, do qual Chávez saiu vitorioso, em dezembro do ano passado os partidos de oposição retiraram suas candidaturas apenas uma semana antes das eleições legislativas, alegando fraude. Ao retirar-se da disputa eleitoral, a oposição deixou o caminho livre para a vitória de deputados que, em sua totalidade, são aliados ao governo. “Convoco a todos a votar no dia 3 de dezembro. Os que ainda têm dúvidas, têm que sair a votar. Vamos construir juntos esse país (...) serei presidente de 26 milhões de venezuelanos”, afirmou Rosales. Golpe Durante a campanha eleitoral o presidente venezuelano acusou seu adversário de ter apoiado o golpe de Estado de 2002. No dia 11 de abril, depois de meses de instabilidade, o empresário Pedro Carmona se autodenominou presidente. O golpe durou apenas 48 horas. Militares constitucionalistas apoiados por uma manifestação popular trouxeram a Chávez de volta à presidência. O presidente venezuelano capitalizou a demonstração de apoio de Rosales à operação golpista em um dos materiais de campanha. Em um cartaz foi impressa uma fotografia de Rosales cumprimentando Carmona no dia do golpe, no Palácio Miraflores. Manuel Rosales, de 53 anos, iniciou sua vida política no partido Ação Democrática e posteriormente se desvinculou do partido e fundou uma organização chamada Um Novo Tempo. Rosales foi eleito governador do estado Zulia no ano 2000 e reeleito em 2004. Zulia é o estado economicamente mais importante da Venezuela por abrigar os principais poços petroleiros do país. |
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