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Atualizado às: 17 de outubro, 2006 - 20h05 GMT (17h05 Brasília)
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Islândia anuncia retomada da caça comercial da baleia

Baleia minke
A Islândia aleaga que há baleias suficientes para pesca sustentável
A Islândia anunciou nesta terça-feira que pretende retomar a caça comercial de baleias.

Em uma declaração, o Ministério da Pesca islandês disse que a caça pode começar na semana que vem e sugeriu que a carne dos animais poderá ser exportada.

O Ministério explicou que a Islândia depende de recursos marinhos vivos e que manteria a caça dentro de limites sustentáveis.

A expectativa é de que navios do país matem por ano nove baleias fin, uma espécie considerada ameaçada, e 30 baleias minke.

A Noruega é o único outro país a caçar para fins comerciais; a maioria dos outros países respeita uma moratória imposta em 1985.

Atualmente, a Islândia já caça baleias minke, mas para fins de "pesquisa científica". O Japão caça mais de mil baleias por ano com a mesma explicação.

Caça "sustentável"

O país nórdico defende que a quantidade de baleias em seus mares é grande o suficiente para permitir a caça, apesar de a espécie fin estar ameaçada.

"Há quase 70 mil baleias da espécie minke no Oceano Atlântico Norte e Central, das quais 43,6 mil estão em águas da Islândia", diz a declaração do governo.

"O número de baleias fin na área é estimado em 25,8 mil animais. A caça é claramente sustentável e portanto consistente com o princípio de desenvolvimento sustentável."

 O número de baleias fin na área é estimado em 25,8 mil animais. A caça é claramente sustentável e portanto consistente com o princípio de desenvolvimento sustentável.
Declaração do governo da Islândia

Rumores de uma retomada da caça pela Islândia estavam circulando há semanas. De acordo com jornais locais, empresas como a Hvalur hf já estariam equipando fábricas de processamento e procurando empregados para seus baleeiros.

A retomada será recebida com consternação por grupos de preservação, alarmados pela aprovação da primeira resolução pró-caça em 20 anos no último encontro da Comissão Internacional da Caça à Baleia (IWF, na sigla em inglês), ocorrido em junho.

"Estamos surpresos e desapontados", disse Arni Finnsson, da Associação de Preservação da Natureza da Islândia.

"Não há mercado para essa carne na Islândia, não há possibilidade de exportação para o Japão. O governo parece ter ouvido os pescadores que culpam as baleias por comerem todos os peixes. Essa decisão é um desrespeito à comunidade internacional", afirma ele.

De acordo com Rune Frovik, um representante da Aliança do Alto Norte - um grupo que representa baleeiros, pescadores e caçadores de focas em países de alta latitude no hemisfério norte - o governo da Islândia ficou frustrado com as negociações na IWC sobre o chamado esquema de administração revisado, desenhado para reintroduzir a caça comercial dentro de limites internacionais restritos.

 Acredito que já é hora de que haja um novo acordo sobre cetáceos e isso tudo apenas prova minha teoria.
Sue Lieberman, diretora de espécies globais da ONG WWF International

"Quando a Islândia se reafiliou à IWC em 2002, o país disse que não retomaria a caça comercial antes de 2006. Disse também que não a retomaria enquanto houvesse avanços no esquema de administração revisado. Mas no encontro da IWC deste ano, o processo parou. Não houve progresso", diz ele.

Ações legais

A Islândia parou a caça comercial quando a moratória mundial foi introduzida em 1986, e suspendeu todos os tipos de caça em 1989.

Tendo deixado a IWC em 1992, o país voltou a fazer parte da comissão em 2002 fazendo uma "reserva" à moratória.

Países que fazem reservas à moratória têm permissão para caçar comercialmente, apesar de a Noruega ser o único país que faz isso.

No entanto, as circunstâncias da volta da Islândia à IWC podem abrir caminho para ações legais em relação a sua decisão de retomar a caça comercial.

"Países contra a caça de baleias disseram que a volta da Islândia à IWC era ilegal na época, porque o país não havia feito a reserva quando deixou a comissão", diz Sue Lieberman, diretora de espécies globais da ONG WWF International.

"A visão dos países contra a caça de baleias não mudará, eu imagino. Eles acreditam que a reserva é ilegal, logo argumentarão que a caça comercial a baleias pela Islândia é uma contravenção na IWC."

Aonde uma ação legal poderia levar é outra questão. Não há um procedimento definido para resolver conflitos dentro da comissão.

"É um tratado que tem falhas nesse sentido", diz Lieberman.

"Acredito que já é hora de que haja um novo acordo sobre cetáceos e isso tudo apenas prova minha teoria."

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