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Islândia anuncia retomada da caça comercial da baleia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Islândia anunciou nesta terça-feira que pretende retomar a caça comercial de baleias. Em uma declaração, o Ministério da Pesca islandês disse que a caça pode começar na semana que vem e sugeriu que a carne dos animais poderá ser exportada. O Ministério explicou que a Islândia depende de recursos marinhos vivos e que manteria a caça dentro de limites sustentáveis. A expectativa é de que navios do país matem por ano nove baleias fin, uma espécie considerada ameaçada, e 30 baleias minke. A Noruega é o único outro país a caçar para fins comerciais; a maioria dos outros países respeita uma moratória imposta em 1985. Atualmente, a Islândia já caça baleias minke, mas para fins de "pesquisa científica". O Japão caça mais de mil baleias por ano com a mesma explicação. Caça "sustentável" O país nórdico defende que a quantidade de baleias em seus mares é grande o suficiente para permitir a caça, apesar de a espécie fin estar ameaçada. "Há quase 70 mil baleias da espécie minke no Oceano Atlântico Norte e Central, das quais 43,6 mil estão em águas da Islândia", diz a declaração do governo. "O número de baleias fin na área é estimado em 25,8 mil animais. A caça é claramente sustentável e portanto consistente com o princípio de desenvolvimento sustentável." Rumores de uma retomada da caça pela Islândia estavam circulando há semanas. De acordo com jornais locais, empresas como a Hvalur hf já estariam equipando fábricas de processamento e procurando empregados para seus baleeiros. A retomada será recebida com consternação por grupos de preservação, alarmados pela aprovação da primeira resolução pró-caça em 20 anos no último encontro da Comissão Internacional da Caça à Baleia (IWF, na sigla em inglês), ocorrido em junho. "Estamos surpresos e desapontados", disse Arni Finnsson, da Associação de Preservação da Natureza da Islândia. "Não há mercado para essa carne na Islândia, não há possibilidade de exportação para o Japão. O governo parece ter ouvido os pescadores que culpam as baleias por comerem todos os peixes. Essa decisão é um desrespeito à comunidade internacional", afirma ele. De acordo com Rune Frovik, um representante da Aliança do Alto Norte - um grupo que representa baleeiros, pescadores e caçadores de focas em países de alta latitude no hemisfério norte - o governo da Islândia ficou frustrado com as negociações na IWC sobre o chamado esquema de administração revisado, desenhado para reintroduzir a caça comercial dentro de limites internacionais restritos. "Quando a Islândia se reafiliou à IWC em 2002, o país disse que não retomaria a caça comercial antes de 2006. Disse também que não a retomaria enquanto houvesse avanços no esquema de administração revisado. Mas no encontro da IWC deste ano, o processo parou. Não houve progresso", diz ele. Ações legais A Islândia parou a caça comercial quando a moratória mundial foi introduzida em 1986, e suspendeu todos os tipos de caça em 1989. Tendo deixado a IWC em 1992, o país voltou a fazer parte da comissão em 2002 fazendo uma "reserva" à moratória. Países que fazem reservas à moratória têm permissão para caçar comercialmente, apesar de a Noruega ser o único país que faz isso. No entanto, as circunstâncias da volta da Islândia à IWC podem abrir caminho para ações legais em relação a sua decisão de retomar a caça comercial. "Países contra a caça de baleias disseram que a volta da Islândia à IWC era ilegal na época, porque o país não havia feito a reserva quando deixou a comissão", diz Sue Lieberman, diretora de espécies globais da ONG WWF International. "A visão dos países contra a caça de baleias não mudará, eu imagino. Eles acreditam que a reserva é ilegal, logo argumentarão que a caça comercial a baleias pela Islândia é uma contravenção na IWC." Aonde uma ação legal poderia levar é outra questão. Não há um procedimento definido para resolver conflitos dentro da comissão. "É um tratado que tem falhas nesse sentido", diz Lieberman. "Acredito que já é hora de que haja um novo acordo sobre cetáceos e isso tudo apenas prova minha teoria." |
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