|
Ausente, Lula vira alvo de adversários em debate | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ausente no último debate entre os candidatos presidenciais antes das eleições de domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, virou o alvo central dos ataques dos seus adversários. Os três candidatos presentes - Geraldo Alckmin (PSDB), Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) - atacaram a decisão de Lula de não comparecer ao debate, organizado e exibido pela TV Globo. "Faltar a um debate como esse é corrupção. É roubar a chance do eleitorado de saber em quem votar. É um ato de corrupção contra a democracia", disse Cristovam Buarque, em resposta a a uma pergunta de Alckmin, em que o candidato do PSDB enumerou escândalos que estouraram durante o governo Lula. "Não é possível um país como o Brasil continuar com maus exemplos", endossou o tucano, no tempo previsto para a réplica. "A ausência do debate é uma visão autoritária." A senadora Heloísa Helena, que disparou os ataques mais contundentes, sugeriu que o presidente não comparecera por temer um confronto com ela. "Sei que ele não tem autoridade moral para me enfrentar", disse Heloísa Helena. Os três candidatos também aproveitaram um procedimento previsto nas regras da emissora - a de que pudessem fazer perguntas a um adversário ausente - para criticar Lula. Na sua vez, Cristovam Buarque perguntou se o presidente, se reeleito, renunciaria ao segundo mandato se fossem comprovadas denúncias de corrupção no seu governo. "Grosserias" O presidente informou à TV Globo que não compareceria ao debate cerca de três horas e meia horas antes do início da transmissão. Em correspondência à emissora, ele agradeceu o convite e justificou a decisão dizendo que não podia se render "à ação premeditada e articulada de alguns adversários" que pretendiam transformar o debate em "uma arena de grosserias e agressões, em um jogo de cartas marcadas". Ao abrir o debate, o jornalista William Bonner, que atuou como mediador, sugeriu que o temor de Lula era infundado porque as regras do debate não permitiam "grosserias" e mostrou a cadeira vazia reservada ao presidente, a quem se referiu apenas como "candidato". Analistas políticos ouvidos pela BBC Brasil se dividem quanto ao impacto do não comparecimento de Lula. Impacto Para o consultor de marketing político Gaudêncio Torquato, do ponto de vista de marketing a decisão foi acertada, porque Lula não teve de responder aos ataques. Torquato avalia que, se os ataques mais fortes tivessem partido do segundo colocado (Alckmin) e não de Heloísa Helena (terceira), o impacto poderia ser maior, mas da forma como aconteceu, o debate deverá ter pouca influência sobre a decisão do eleitor. Já para o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília (UnB), o presidente "perdeu muito" por não estar presente. "Confirmou-se (a expectativa de) que ele seria o alvo principal e ficou patente que a ausência foi muito prejudicial", afirmou Peixto. Embora tenha concentrado os seus ataques em Lula, Heloísa Helena não poupou artilharia contra Alckmin. "O Alckmin sempre veio com esta história de atribuir os problemas (somente) a este governo e ele sabe que eles vêm dos tempos de FHC", disse a senadora, em resposta a uma pergunta do tucano em que ele criticou a política do governo Lula para a área energética. A senadora do PSOL chegou a dizer que foi expulsa do PT porque "não aceitou" que o governo Lula "acobertasse os crimes de corrupção na gestão FHC". "É por isso que ele (Lula) não está aqui para explicar, ia ser um bate-boca entre quem roubou mais, quem roubou menos", afirmou a candidata, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Cristovam Buarque disse "concordar" com Alckmin em mais de uma questão e fez um apelo à realização de um segundo turno. "Vai ser muito triste uma eleição em primeiro turno sem esclarecimentos (das denúncias)", disse o pedetista. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Política externa evidencia diferenças entre Lula e oposição28 setembro, 2006 | BBC Report OAB diz que Lula constrange PF no caso do dossiê27 setembro, 2006 | BBC Report Presidente peruano expressa apoio à reeleição de Lula28 setembro, 2006 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||