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Atualizado às: 06 de setembro, 2006 - 18h03 GMT (15h03 Brasília)
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ONU alerta para imigração de domésticas no mundo
Enfermeira filipina
ONU destacou imigração qualificada em setores como enfermagem
Um relatório do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira, afirma que o trabalho doméstico é hoje um dos setores que mais leva mulheres a migrarem no mundo.

As mulheres já são metade dos 95 milhões de imigrantes, de acordo com o documento Estado da População Mundial – Uma Passagem para Esperança: Mulheres e Imigração Internacional.

A maior parte delas sai de países da Ásia, da América Latina, do Caribe e da África. Os destinos mais comuns são a Europa, os Estados Unidos, e os países do Golfo e da Ásia industrializada.

A falta de leis trabalhistas para o setor doméstico e de condições de organização fazem com que grande parte delas vivam em regimes de “escravidão virtual”. Elas dependem apenas do empregador para itens básicos, como comida, casa e salário.

Bilhões de dólares

Segundo o Fundo da ONU, os governos continuam ignorando o papel das mulheres imigrantes, apesar de elas serem responsáveis pela geração de bilhões de dólares por ano. O estudo diz que as imigrantes mulheres tendem a enviar para seus países de origem remessas muito maiores do que os homens, em proporção ao salário.

“Esse relatório chama atenção dos governos e indivíduos para que reconheçam o valor da contribuição das mulheres imigrantes e para que promovam o respeito aos seus direitos humanos”, disse a diretora executiva da UNFPA, Thoraya Ahmed Obaid.

 Muitas trabalhadoras domésticas acabam tomando conta de duas casas, a de seus empregadores e a sua própria. Mulheres gastam 70% de seu tempo não-remunerado cuidando de membros da família – uma contribuição à economia global que permanece ignorada
Relatório do Fundo de Populações da ONU

Um dos efeitos nocivos da migração, segundo a ONU, é a falta de profissionais qualificados em países em desenvolvimento. O êxodo anual de cerca de 20 mil médicos e enfermeiras, em média, da África tem agravado a situação do continente, que sofre com a epidemia da Aids.

Para essas mulheres com maior qualificação, diz o relatório, "a migração abre portas para um novo mundo de mais igualdade e alívio da opressão e discriminação que limitam sua liberdade e seu potencial".

O setor de enfermagem é emblemático. Em 2003, cerca de 85% das enfermeiras filipinas trabalhavam no exterior. No mesmo ano, cerca de 58% e 53% das vagas para enfermeiras na Jamaica e em Trinidad e Tobago, respectivamente, permaneciam abertas.

À exceção do Oriente Médio, onde "normas sócio-culturais" continuam a limitar a mobilidade feminina, o fluxo de mulheres já supera o dos homens em todas as regiões do mundo.

Brasileiras

Muitas brasileiras deixam a terra natal para trabalhar como prostitutas ou empregadas domésticas em países como Itália, Espanha e Estados Unidos.

Estima-se que cerca de 70 mil brasileiras são prostitutas no exterior. Muitas viajam por meio do tráfico de pessoas, em condições de alto risco e situação irregular.

O Brasil é considerado como um país de alto índice de tráfico de pessoas, ladeado apenas pela Colômbia na América do Sul.

O relatório chama atenção para uma "corrente global de cuidado", originada quando uma mãe deixa seu filho com parentes e emigra em busca de melhores condições de trabalho.

"Muitas trabalhadoras domésticas acabam tomando conta de duas casas, a de seus empregadores e a sua própria. Mulheres gastam 70% de seu tempo não-remunerado cuidando de membros da família – uma contribuição à economia global que permanece ignorada", diz o documento.

O relatório foi divulgado na véspera do encontro sobre Migração Internacional e Desenvolvimento, em Nova York, um dos primeiros a envolver governos na discussão dos benefícios e desafios causados pelo fluxo de pessoas no mundo. O evento será nos dias 14 e 15 deste mês.

Marielma de Jesus SampaioTrabalho doméstico
Acompanhe série de reportagens no Brasil e no mundo.
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