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Caio Blinder: Hillary e McCain preparam-se para duelo eleitoral | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Esta semana, a capa da revista Time é dedicada às "ambições presidenciais de Hillary Clinton", enquanto o jornal The New York Times deu primeira página ao "esforço metódico" de John McCain para construir uma máquina de campanha presidencial. A eleição americana de 2008 não está tão distante como parece e para eventuais candidatos é vital criar a percepção de que já estão na dianteira. E a percepção é de que o grande duelo dentro de pouco mais de dois anos posicionará a ex-primeira-dama e senadora democrata por Nova York contra o senador republicano do Arizona, ex-piloto e prisioneiro na guerra do Vietnã. McCcain é mais assumido nas suas pretensões. Mostra-se até ansioso para aparar as arestas com o presidente George W. Bush, com o qual tem uma relação turbulenta, e também para cortejar a direita religiosa, que foi decisiva para tirá-lo da reta na corrida presidencial do ano 2000. Indefinição Hillary repete a ladainha que seu foco no momento é a reeleição no Senado em novembro (será um passeio), mas para uma política "indecisa" é fenomenal a máquina que ela está construindo, tanto em termos do tamanho da rede de pessoal como o baú de dinheiro arrecadado. Nada disso é necessário meramente para garantir uma reeleição no Senado. Mas a indecisão de Hillary é procedente. Seu nome (até mais do que o sobrenome) é sinônimo de polarização. Esta semana, o ex-prefeito republicano de Nova York e herói do 11 de setembro, Rudolph Giuliani, que também tem suas ambições presidenciais, disse torcer pela confirmação da presença de Hillary na disputa. Afinal, ela é incrível não apenas para atrair dinheiro para os democratas, mas também para os republicanos. Ninguém entre os democratas tem a capacidade da senadora novaiorquina para estimular a base republicana a ir à guerra eleitoral. É verdade que o material da revista Time tem estímulos positivos para Hillary. A jogada de McCain é acalmar a direita religiosa, enquanto a senadora democrata, ao melhor estilo clintoniano, corteja o centro. Com Hillary, nem sempre tudo se resume a amor ou ódio. Ela efetivamente está conseguindo romper um pouco esta polarização. Forte candidata Na pesquisa da Time, 67% dos entrevistados qualificam a senadora de politicamente moderada. O drama é que Hillary hoje decepciona a base de ativistas partidários, que não perdoam seu apoio à guerra no Iraque. O astuto Bill Clinton, sem dúvida o melhor estrategista político à disposição de Hillary, acha que é isto mesmo. De acordo com a Time, o ex-presidente teria confidenciado a amigos que o país está pronto para uma mulher na presidência, mas é mais provável que seja uma republicana da escola de Margaret Thatcher. Isto quer dizer que o grande teste para Hillary será segurança nacional, um ponto fortíssimo de John McCain. Hillary está muito forte na pesquisa da Time. Numa disputa presidencial teria 47% dos votos, contra 49% de McCain. O senador republicano venceria com folga outros possíveis candidatos democratas, como Al Gore e John Kerry, que já amargaram uma derrota para Bush nas duas últimas eleições presidenciais. O bom posicionamento de Hillary, no entanto, não dissipa a inquietação entre os caciques democratas. Pelo contrário. As especulações em Washington são de que o partido estaria disposto a oferecer para Hillary a liderança democrata no Senado a partir de 2009, se ela desistir da corrida presidencial. Talvez seja pouco para as ambições políticas de uma mulher que já conhece intimamente a Casa Branca e os corredores do poder. Mas no caso de Hillary, o calculismo frio sempre andou de mãos dadas com a ambição. De qualquer forma, depois das eleições de 2008, vêm as de 2012. | NOTÍCIAS RELACIONADAS EUA renovam oferta de fim de embargo a Cuba23 agosto, 2006 | BBC Report Caio Blinder: EUA não querem papel na novela eleitoral mexicana21 agosto, 2006 | BBC Report LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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