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Resposta do Irã pode iniciar confronto no Oriente Médio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Enquanto o Oriente Médio ainda sofre o impacto do confronto entre Israel e o Hezbollah no Líbano, um novo confronto na região envolvendo o Irã pode começar. O Irã deve anunciar na terça-feira sua resposta formal à exigência do Conselho de Segurança da ONU de suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio, depois de negociações a respeito dos planos nucleares do governo iraniano. Um sinal da posição do Irã veio de seu líder supremo, Ali Khamenei, que disse nesta segunda-feira que o Irã vai "seguir seu caminho". Esta nova crise em potencial ocorre em um momento perigoso, com as relações entre o Ocidente e países muçulmanos já abaladas. O Irã está protegido pelo que vê como a vitória de seu aliado Hezbollah contra Israel e tem no presidente Mahmoud Ahmadinejad um líder político que parece aprovar o confronto com o Ocidente. O país não está disposto a abrir mão de seu programa de enriquecimento, apesar de alguns terem esperado que o Irã anunciasse uma "pausa técnica" para permitir o início das negociações. Se a resposta à exigência de suspensão for "não", os Estados Unidos vão pressionar por sanções diplomáticas e econômicas. Estas sanções precisariam de uma nova votação no Conselho de Segurança da ONU. Mas China e Rússia, dois países com poder de veto, são contra sanções. Ação militar Além das sanções, há especialistas que temem que o confronto se transforme em ação militar. Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, afirmou: "Isto não vai se arrastar por anos. Existem dois prazos importantes no fim de 2008. Esta é a data mais próxima em que algumas pessoas acreditam que o Irã poderia adquirir uma arma nuclear. Eu acredito mais em 2010", disse. "E em novembro de 2008 vão ocorrer as eleições presidenciais nos Estados Unidos. O presidente George W. Bush não vai querer passar este problema para frente. Haverá a crescente inclinação do governo americano para tomar uma outra medida." Perguntado se os problemas de Israel para desarmar o Hezbollah mostraram a limitação do poder aéreo e poderiam indicar que um ataque ao Irã seria menos provável, Fitzpatrick respondeu que "as ações de Israel fazem com que um ataque ao Irã seja mais provável, pois remove uma das ferramentas do Irã, um ataque contra Israel realizado pelo Hezbollah". A visão de Fitzpatrick parece ecoar, até certo ponto, outra colocada pelo analista da revista New Yorker Seymour Hersh, que afirmou que o ataque contra o Hezbollah foi um exercício para um ataque contra o Irã. Sanções No curto prazo, a ênfase deve ser colocada nas sanções. No dia 31 de julho, o Conselho de Segurança (na Resolução 1696) deu ao Irã prazo de um mês para obedecer as primeiras exigências da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A AIEA afirmou que o Irã deve suspender o enriquecimento de urânio, reconsiderar a construção de reatores de água pesada, ratificar e implementar inspeções mais completas e cooperar totalmente com os inspetores da agência. A agência vai entregar seu relatório a respeito da cooperação do Irã no final de agosto. Se não ocorrer cooperação, então poderá se chegar ao próximo estágio. Qualquer sanção terá que ser diplomática ou econômica por natureza. Isto se deve ao fato de a Resolução 1696 determinar que estas sanções seriam autorizadas sob o Artigo 41 do capítulo 7 da Carta de Direitos da ONU. O artigo afirma que as medidas não poderão "envolver o uso das forças armadas". Os Estados Unidos e seus aliados (incluindo a Grã-Bretanha e provavelmente França e Alemanha) temem que o Irã possa usar sua tecnologia de enriquecimento não apenas para gerar combustível nuclear, mas também para a construção de armas nucleares, apesar do Irã afirmar que esta não é sua intenção. Os americanos vão pressionar para imposição de proibição de viagem para iranianos envolvidos no programa nuclear e por uma proibição da venda de produtos que poderiam ser usados na área nuclear. Se estas exigências não forem aprovadas pelo Conselho de Segurança, uma coalizão dos aliados dos Estados Unidos poderá ser formada. Os países também poderão considerar uma proibição dos investimentos no petróleo iraniano e na indústria de gás do país, uma restrição que os Estados Unidos já colocaram em prática desde 1979. Impacto Poucos, se existir algum, envolvidos nos contatos com o Irã nos últimos anos acreditam que as sanções vão funcionar. O Irã tem vivido com sanções americanas nos últimos 27 anos e estas não fizeram diferença. É verdade que, desta vez, os Estados Unidos e a União Européia ofereceram incentivos ao Irã na forma de suspensão de algumas restrições americanas e com ajuda no setor de tecnologia nuclear, e mesmo pensando no fim da moratória de enriquecimento a partir do momento em que a confiança no país for restaurada. Mas o Irã parece decidido a continuar, apoiando seus direitos ao enriquecimento de urânio no Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e transformando as várias questões em uma única na qual uma nação em desenvolvimento está sendo forçada por países mais ricos a abandonar tecnologia moderna que estes países já possuem. Em uma entrevista ao jornal britânico Guardian, o negociador-chefe do Irã, Ari Larijani, afirmou: "Não vemos razão para paralisar a pesquisa científica em nosso país". "Entendemos a razão desta questão ser tão delicada. Mas eles (os países ocidentais) estão colocando países em categorias. Alguns países podem ter acesso a alta tecnologia nuclear, os outros podem apenas produzir suco de frutas e pêras!", acrescentou. |
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