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Atualizado às: 21 de agosto, 2006 - 16h57 GMT (13h57 Brasília)
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Uso de armas químicas contra iraquianos marcou operação Anfal
Vala comum na região curda do Iraque
Cem mil podem ter morrido na Operação Anfal, diz organização
A Operação Anfal, na qual ocorreram crimes que estão levando o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein a julgamento, ficou conhecida como a primeira vez na história em que um país usou armas químicas contra seu próprio povo.

Sob o comando do primo de Saddam, Ali Hassan Majid – o "Ali Químico", que também senta no banco dos réus em Bagdá – o Iraque lançou gás mostarda e sarin contra áreas curdas, diz a organização americana de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

Cerca de 50 mil, e possivelmente até 100 mil pessoas morreram nos ataques realizados entre fevereiro e setembro de 1988, disse a organização, que publicou um amplo relatório sobre a operação cinco anos depois do ocorrido.

A Human Rights diz que dois mil vilarejos foram destruídos, assim como dezenas de cidades e centros administrativos, incluindo o de Qala Dizeh, onde moravam sete mil pessoas.

"Problema curdo"

As nove etapas da operação Anfal (que significa "Espólios de Guerra") tiveram como objetivo resolver o que o governo iraquiano chamava de "problema curdo".

Desde que assumiu o poder, em 1968, o partido Baath, de Saddam Hussein, de orientação pan-arabista, via na população curda do país uma ameaça à unidade nacional. Além disso, o presidente iraquiano acreditava que os curdos estavam ajudando o seu inimigo, o Irã, com o qual o Iraque travou uma guerra entre 1980 e 1988.

As primeiras medidas tomadas em Bagdá forçavam curdos a deixar suas casas e se mudar para a chamada "Região Autônoma Curda".

A partir do censo nacional de 1987, alegando medidas de contra-insurgência contra rebeldes independentistas, o governo iraquiano começou a demarcar "áreas proibidas" dentro da zona autônoma.

"Os residentes dessas 'zonas proibidas' eram curdos que, depois do censo de outubro de 1987, foram definidos como não-iraquianos, e traidores. Em 1988, eles estavam marcados para morrer", disse a Human Rights Watch.

PUK

Em fevereiro de 1988, o Exército iraquiano lançou a operação Anfal com o assalto a uma base do partido União Patriótica Curda (PUK).

Depois, dirigiu-se ao sul do país, encontrando pouca ou nenhuma resistência.

"Residentes das áreas curdas foram arrastados pelas patrulhas da Anfal, detidos em campos temporários de identificação e registro, e então levados a locais de execução fora da área curda. Eram sumariamente executados e enterrados com escavadeiras", relatou a organização.

Soldaos iranianos mortos pela Operação Anfal
Soldados iranianos também foram mortos na operação Anfal

"Os poucos que conseguiam evitar as patrulhas e procuraram refúgio nas cidades e complexos residenciais eram perseguidos, presos, e também executados."

Segundo ativistas de direitos humanos, a maioria dos curdos perseguidos era civil.

"O tratamento dado àqueles leais ao governo não era diferente, o que mostra que a política oficial não se baseava em lealdade política, e sim em etnia."

O pior incidente – que tecnicamente não faz parte da Anfal e será julgado por outro tribunal – foi em Halabja. A cidade havia sido capturada por rebeldes curdos apoiados pela Guarda Revolucionária Iraniana.

Em 16 de março, a cidade foi bombardeada com gases sarin, tabun e VX. Cerca de cinco mil civis morreram na operação.

Em setembro de 1988, o governo iraquiano decretou uma "anistia" para os curdos. Mas, segundo a Human Rights Watch, os sobreviventes da operação Anfal nunca foram autorizados a retornar a suas casas.

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