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Uso de armas químicas contra iraquianos marcou operação Anfal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Operação Anfal, na qual ocorreram crimes que estão levando o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein a julgamento, ficou conhecida como a primeira vez na história em que um país usou armas químicas contra seu próprio povo. Sob o comando do primo de Saddam, Ali Hassan Majid – o "Ali Químico", que também senta no banco dos réus em Bagdá – o Iraque lançou gás mostarda e sarin contra áreas curdas, diz a organização americana de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch. Cerca de 50 mil, e possivelmente até 100 mil pessoas morreram nos ataques realizados entre fevereiro e setembro de 1988, disse a organização, que publicou um amplo relatório sobre a operação cinco anos depois do ocorrido. A Human Rights diz que dois mil vilarejos foram destruídos, assim como dezenas de cidades e centros administrativos, incluindo o de Qala Dizeh, onde moravam sete mil pessoas. "Problema curdo" As nove etapas da operação Anfal (que significa "Espólios de Guerra") tiveram como objetivo resolver o que o governo iraquiano chamava de "problema curdo". Desde que assumiu o poder, em 1968, o partido Baath, de Saddam Hussein, de orientação pan-arabista, via na população curda do país uma ameaça à unidade nacional. Além disso, o presidente iraquiano acreditava que os curdos estavam ajudando o seu inimigo, o Irã, com o qual o Iraque travou uma guerra entre 1980 e 1988. As primeiras medidas tomadas em Bagdá forçavam curdos a deixar suas casas e se mudar para a chamada "Região Autônoma Curda". A partir do censo nacional de 1987, alegando medidas de contra-insurgência contra rebeldes independentistas, o governo iraquiano começou a demarcar "áreas proibidas" dentro da zona autônoma. "Os residentes dessas 'zonas proibidas' eram curdos que, depois do censo de outubro de 1987, foram definidos como não-iraquianos, e traidores. Em 1988, eles estavam marcados para morrer", disse a Human Rights Watch. PUK Em fevereiro de 1988, o Exército iraquiano lançou a operação Anfal com o assalto a uma base do partido União Patriótica Curda (PUK). Depois, dirigiu-se ao sul do país, encontrando pouca ou nenhuma resistência. "Residentes das áreas curdas foram arrastados pelas patrulhas da Anfal, detidos em campos temporários de identificação e registro, e então levados a locais de execução fora da área curda. Eram sumariamente executados e enterrados com escavadeiras", relatou a organização.
"Os poucos que conseguiam evitar as patrulhas e procuraram refúgio nas cidades e complexos residenciais eram perseguidos, presos, e também executados." Segundo ativistas de direitos humanos, a maioria dos curdos perseguidos era civil. "O tratamento dado àqueles leais ao governo não era diferente, o que mostra que a política oficial não se baseava em lealdade política, e sim em etnia." O pior incidente – que tecnicamente não faz parte da Anfal e será julgado por outro tribunal – foi em Halabja. A cidade havia sido capturada por rebeldes curdos apoiados pela Guarda Revolucionária Iraniana. Em 16 de março, a cidade foi bombardeada com gases sarin, tabun e VX. Cerca de cinco mil civis morreram na operação. Em setembro de 1988, o governo iraquiano decretou uma "anistia" para os curdos. Mas, segundo a Human Rights Watch, os sobreviventes da operação Anfal nunca foram autorizados a retornar a suas casas. |
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