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No Japão, brasileiro faz trabalho 'sujo, pesado e perigoso' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Entre os brasileiros que moram no Japão é comum escutar que os estrangeiros sempre ficam com os serviços conhecidos como 3K – kitsui, kiken e kitanai (pesado, perigoso e sujo). São ocupações encontradas, em sua grande maioria, nas fábricas e envolvem trabalho repetitivo, levantamento de peso, longa jornada de trabalho, máquinas perigosas, entre outros problemas. "Teve um rapaz de 26 anos que perdeu três dedos porque o sensor da máquina não estava funcionando direito", conta Francisco Freitas, membro do Sindicato dos Trabalhadores de Hamamatsu, onde moram 20 mil brasileiros. "Há casos de pessoas que tiveram problemas nos músculos porque carregavam carcaças de motores que pesavam 15 quilos durante oito horas, com apenas cinco minutos de intervalo pela manhã e a tarde." Cerca de 60% dos 300 mil brasileiros que vivem no Japão trabalham em fábricas, segundo João Pedro Costa, vice-cônsul do Brasil em Tóquio. A grande maioria está no país legalmente. "As empreiteiras (empresas especializadas em mão-de-obra terceirizada) contratam no Brasil. Os brasileiros assinam contratos sem maiores especificações. Aconselhamos que pelo menos eles tenham um seguro saúde", diz o diplomata. Segundo ele, o trabalho pesado e repetitivo tem causado problemas de saúde entre os brasileiros. "Fizemos um levantamento e identificamos que a maior causa de morte entre a comunidade brasileira é infarto", afirma. Yoko Tsubi, responsável pela área de orientação profissional da Hello Work (agência de emprego do governo), em Tóquio, diz que recebe reclamações de suposta discriminação, principalmente, em relação a horário de trabalho e salário. "Sugerimos que os trabalhadores façam uma consulta na delegacia do trabalho para que seja feita uma inspeção na firma deles", diz. Emprego doméstico Para escapar do serviço estressante das fábricas e também para ter um maior retorno financeiro, brasileiras que moram no Japão estão optando pelo emprego doméstico. É o exemplo de Márcia Okada, 42 anos, que mora na cidade de Ueda: "Eu trabalhava 12 horas em pé numa fábrica com um japonês atrás de mim cronometrando meu serviço". "Fiquei estressada. Cheguei a entrar em depressão. Foi quando decidi que precisava fazer algo que gostasse", conta. Márcia começou a fazer faxina para conhecidos e hoje tem clientela fixa. "Estou mais feliz", desabafa. Elizabeth Moraes, 56 anos, chegou a trabalhar em uma fábrica mas diz que hoje "sente mais prazer em trabalhar como diarista" porque a rotina é menos desgastante. Além disso, o retorno financeiro é maior. Enquanto uma diarista recebe 10 mil ienes (cerca de R$ 90) por faxina, na fábrica o salário mínimo é de 1,2 mil ienes/hora, para as mulheres é 10% menor – uma única faxina equivale a um dia inteiro de trabalho na fábrica. |
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