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Atualizado às: 08 de agosto, 2006 - 23h04 GMT (20h04 Brasília)
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Canal de TV dos EUA aumenta transmissões para Cuba

Emissora tem sede em Miami, onde se concentra lobby anticastrista
O canal de televisão administrado pelo governo americano que transmite notícias e programas em espanhol para Cuba, a TV Martí, aumentará suas transmissões para a ilha de uma tarde por semana para seis.

De acordo com o diretor da agência que administra a TV e a Rádio Marti, Alberto Mascaro, a iniciativa estava prevista para o fim de agosto, mas foi antecipada por causa das notícias do estado de saúde de Fidel Castro.

"No ano passado, o Congresso americano aprovou a destinação de US$ 10 milhões extras ao nosso orçamento para investir no aumento das transmissões da TV Martí para Cuba", explicou Mascaro.

A maior parte da verba aprovada pelo Congresso foi aplicada na aquisição de um avião particular que sobrevoa as águas americanas desde o último sábado, nas proximidades de Cuba, retransmitindo o sinal da TV Martí das 19h às 22h, no horário local.

"Com isso, sofreremos bem menos interceptação por parte do governo cubano. Durante dois anos transmitimos de outra plataforma, de um avião militar americano, mas apenas uma vez por semana, e mesmo assim esporadicamente, porque era muito fácil para Cuba interferir no nosso sinal", afirmou Mascaro.

Controle da mídia

A mídia cubana é rigidamente controlada pelo governo e jornalistas precisam trabalhar de acordo com as leis, que não permitem nenhum conteúdo contra o governo, com o risco de serem obrigados a cumprir uma pena de até três anos caso as desrespeitem.

As empresas privadas de mídia eletrônica são proibidas pela Constituição cubana e agências estrangeiras têm de contratar jornalistas locais, sempre pelo intermédio de escritórios do governo.

Após o anúncio do problema de saúde de Castro, muitas empresas jornalísticas tentaram enviar funcionários para cobrir os eventos na ilha – uma tarefa que se tornou ainda mais difícil desde a semana passada.

Quatro jornalistas estrangeiros que tentaram entrar em Cuba na última semana foram detidos no aeroporto de Havana, Jose Martí, onde foram informados de que precisariam de uma autorização especial para trabalhar como jornalistas na ilha.

Os quatro foram enviados de volta ao Panamá. As autoridades cubanas também anunciaram que qualquer repórter que tiver entrado na ilha como turista e for descoberto será expulso.

Imparcialidade?

"A TV Martí é uma fonte de informação, notícias e debates caracterizada pela objetividade do jornalismo profissional, que não responde aos poderosos interesses do Estado", afirma outro diretor da organização, Pedro V. Roig.

Mas, quando se assiste ao canal de TV ou se ouve a emissora de rádio, a programação é recheada de declarações de autoridades americanas sobre o futuro da ilha, criticando o modelo político vigente em Cuba ilha e defendendo o fim do regime castrista.

Desde a semana passada, por exemplo, estão sendo veiculadas as reações dos cubanos exilados na Flórida, que comemoraram o anúncio dos problemas de saúde de Fidel Castro.

O canal também transmitiu ao vivo o discurso da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, na semana passada, em que ela disse que o governo americano vai defender o povo cubano no direito de escolher o governo que quer livremente.

Na página da TV e Rádio Martí na internet, podem ser lidas notícias como "Cuba é um dos países mais infelizes do mundo" e "Porta-voz de Washington declara que Raúl seria outro ditador".

Lobby

Com base em Miami, onde está concentrado o maior lobby de cubanos anti-castristas fora de Cuba, a TV e a Rádio Martí "expressa o ponto-de-vista de apenas uma parte da sociedade americana, que é a dos exilados cubanos", afirma Philip Peters, do instituto de pesquisas Lexington, um constante crítico dos trabalhos da Martí.

Mascaro admite que os dois veículos dão bastante espaço para as opiniões do governo americano. "Afinal, somos uma agência financiada por ele", afirma.

"Mas damos a posição dos Estados Unidos sobre vários temas, não apenas sobre Cuba", acrescenta. Ele também ressalta que Peters é um constante entrevistado da Rádio Martí.

"Nós damos todos os pontos-de-vista e opiniões. Por exemplo: ouvimos pessoas que são a favor do embargo e contra o embargo, pessoas que são favoráveis a restrições para viajar a Cuba e outras que são contrárias. Ou seja, damos os dois lados, como qualquer organização de notícias sérias faz."

Perguntado se a Martí também veicula as opiniões de pessoas favoráveis ao regime político cubano, Mascaro hesitou e respondeu: "Se eles quiserem vir até aqui e falar na Rádio Martí, são mais do que bem-vindos."

Fidel CastroFidel Castro
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