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López Obrador encerra campanha e promete mudanças | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O candidato de centro-esquerda à presidência do México, Andrés Manuel López Obrador, da coalizão Bem de Todos, encerrou sua campanha na quarta-feira à noite, prometendo dar prioridade aos pobres caso seja eleito. "Para o bem de todos, primeiro os pobres", disse o candidato em um comício diante de dezenas de milhares de eleitores em Zócalo, o coração político e financeiro do México. A quatro dias das eleições que definirão quem será o próximo presidente do país, o ex-prefeito da Cidade do México convocou a população a escolher no próximo domingo entre o seu "projeto alternativo de nação", ou a continuidade das políticas atuais, lideradas pelo presidente Vicente Fox (PAN). "Nossos adversários defendem o projeto anti-popular e entreguista que estão aplicando (...) nós sustentamos que o país não aguenta mais do mesmo e necessita de uma transformação profunda", afirmou. Na reta final, o cenário eleitoral é imprevisível e ninguém se arrisca a fazer projeções. O resultado das últimas pesquisas apontavam a vitória de López Obrador com uma pequena margem de vantagem sobre o candidato da direita, Felipe Calderón (PAN), mas tecnicamente há um empate. Política econômica López Obrador, chamado de populista por seus adversários, promete mudar a atual política econômica. Para o candidato, o baixo crescimento econômico é o principal fator responsável pelo aumento da miséria, do desemprego e, por consequência, do número de imigrantes que diariamente tentam cruzar a fronteira com os Estados Unidos. Durante o atual governo de Vicente Fox, cerca de 4 milhões de mexicanos deixaram o país. Em uma clara alusão às estreitas relações entre o atual presidente e o governo americano, López Obrador diz que realizará uma política externa mais autônoma do que a do seu rival político, Felipe Calderón, do partido governista PAN. O candidato ainda atacou o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), firmado entre México, Estados Unidos e Canadá, e garantiu que, se eleito, não permitirá a entrada em vigor em 2008 de uma cláusula do tratado que prevê a abertura para exportações agrícolas. "Vamos revisar essa cláusula que afeta o nosso produtor. Temos que garantir a produção nacional do milho e do feijão. Não vamos seguir com isso", disse. Enquanto acompanhava o discurso, o médico aposentado Juan Bar explicava porque decidiu apoiar López Obrador. "As propostas dos candidatos são muito parecidas, mas ele (López Obrador) foi o único que vimos governar com honestidade e austeridade", disse. Junto ao médico, centenas de idosos que foram beneficiados pelas políticas de assistência social à terceira idade implementadas pelo candidato quando era prefeito da Cidade do México animavam o coro de "Sorria, vamos ganhar". Zapatistas Andrés Manuel López Obrador, que foi duramente criticado pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional por não representar a possibilidade de mudanças reais para o país, se comprometeu em atender a reivindicação dos povos índigenas. "Vamos pagar a dívida histórica com nossas comunidades, com os povos indígenas (...) Vamos fazer a nossa parte para cumprir o acordo de San Andrés". O acordo foi firmado em 1996 entre o Movimento Zapatista e o governo do presidente Ernesto Zedillo, e prevê o respeito à autonomia e cultura das comunidades indígenas, mas nunca foi cumprido. Quanto à política externa, o candidato não fez referência direta à América Latina. "A melhor política exterior é a interior. Se no México há progresso, justiça (...) nos respeitarão fora". Analistas políticos afirmam que a vitória de López Obrador poderia significar uma virada da política exterior mexicana - atualmente voltada para o Norte - para a integração com os demais países latino-americanos. Ao encerrar o comício, López Obrador homenageou Emiliano Zapata, Pancho Villa e Lázaro Cárdenas, considerados ícones nacionais, e convocou os mexicanos a levantarem "bem cedo" no próximo domingo para votar. "Necessitamos ganhar com ampla vantagem para que não duvidem do nosso triunfo", disse o candidato. O voto é facultativo no México. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Barreira anti-imigração não é solução, diz Fox25 de maio, 2006 | Notícias Subcomandante Marcos dá rara entrevista à TV10 maio, 2006 | BBC Report Bush diz que apóia imigração 'ordeira' de mexicanos31 de março, 2006 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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