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Atualizado às: 29 de junho, 2006 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Meta de inflação pode abrir espaço para juros menores

A confirmação da meta de inflação de 4,5% para 2007 e a fixação do mesmo índice para 2008 deve garantir espaço para alguma redução das taxas de juros, segundo analistas financeiros ouvidos pela BBC Brasil.

Os valores foram anunciados nesta quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de reunião do Conselho Monetário Nacional.

Na avaliação de economistas do mercado financeiro, a meta não é ambiciosa e, por isso, pode ser atingida sem exigir taxas de juros elevadas.

“A meta é realista”, disse Paulo Leme, diretor para mercados emergentes do banco Goldman Sachs. “Para a política monetária, isso quer dizer que ainda existe um espaço de corte de juros, apesar de ser um espaço limitado.”

Ajuste fiscal

Segundo Leme, "uma meta de 4,5% não significa de maneira nenhuma que a inflação não possa estar abaixo de 4%”.

“As pessoas se esquecem que a meta de 4,5% inclui uma banda de mais ou menos dois pontos percentuais. Este ano a inflação provavelmente vai estar muito abaixo da meta, abaixo de 4%."

Leme observou ainda que apesar da inflação em queda, o governo optou pela continuação da meta de inflação de 2006, “porque sem um ajuste fiscal mais profundo e de melhor qualidade, centrado em cortes de despesas, os riscos e os custos de partir para uma meta mais ambiciosa, ou seja, abaixo de 4% ou 3,5%, são muito altos”.

Na opinião de Nuno Câmara, chefe de pesquisa de mercados emergentes do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein, “a meta nesse patamar é crível e não algo muito ambicioso, o que poderia gerar uma expectativa de que ela seria difícil de ser alcançada”.

Câmara acrescentou que dada a melhoria dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, “a aposta do mercado é que num futuro aumento de juros, quando ele ocorrer, a magnitude será menor”.

Juros americanos

Com relação ao aumento de 0,25 pontos percentuais na taxa de juros dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira, Câmara disse que “até que haja uma convergência maior de opiniões sobre a política monetária norte-americana, haverá espaço para volatilidade”.

“Mas não acredito que isso terá grande impacto na economia brasileira”, disse.

Paulo Leme acrescentou que “a dúvida (sobre o aperto monetário americano) é muito mais para agosto, na próxima reunião do Fed (o banco central americano)”.

“Toda essa volatilidade que afeta o câmbio e dificulta a projeção da inflação, é transitória. Portanto, usando a idéia de que num regime de câmbio flutuante, os países podem manter ciclos monetários independentes, essa é a mensagem que o Banco Central está dando para o mercado. Que o Brasil, independentemente da política monetária do Fed, vai seguir com o seu corte de juros.”

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