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Atualizado às: 26 de junho, 2006 - 18h37 GMT (15h37 Brasília)
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Apreensão de cocaína bate novo recorde, diz ONU
Soldado destrói plantação de coca na Colômbia
Impulsionadas pela parceria entre Estados Unidos e Colômbia, as apreensões mundiais de cocaína bateram novo recorde em 2004, afirma o relatório mundial sobre drogas divulgado nesta segunda-feira pela ONU.

Juntos, os dois países apreenderam 60% das 588 de toneladas confiscadas da droga.

“A melhor cooperação entre as polícias e o serviço de inteligência” colombianos e norte-americanos indica que os bons resultados se repetirão nos números de 2005 e de 2006, diz o documento.

Reversão de tendência

Mais da metade da área plantada de coca no mundo (54%) está na Colômbia. Os 86 mil hectares atuais representam a metade da área recorde registrada em 2000, quando a tendência começou a ser revertida.

Há três anos, o país do presidente Álvaro Uribe é recordista na apreensão de cocaína. Em 2004, as apreensões totalizaram 188 toneladas, equivalente a 32% do volume mundial.

Já nos Estados Unidos, as prisões feitas naquele ano resultaram em 166 toneladas do pó, ou 28% do total mundial. Com 6,5 milhões de consumidores, os EUA consomem a metade de toda a cocaína produzida no mundo.

Ao apresentar o documento em Washington, o diretor-executivo do escritório da ONU para Drogas e Crime, Antônio Maria Costa, disse que os números positivos não podem servir de pretexto para que os países relaxem suas políticas antidrogas.

Calcanhar de Aquiles

Entre os problemas dos esforços contra as drogas, segundo o relatório, estão o aumento da demanda por cocaína na Europa (em contrapartida à redução nas Américas), a produção de ópio (matéria-prima da heroína) no Afeganistão e o amplo uso de maconha em várias partes do mundo.

Para chegar ao continente europeu, traficantes de cocaína já evitam a tradicional rota que deixa a América do Sul pelo Caribe e têm aberto novas vias entre o oeste da África (principalmente Cabo Verde, África do Sul, Quênia, Gana e Nigéria) e a península ibérica.

Já no Afeganistão, a área destinada ao cultivo de ópio caiu 21% em 2005, pela primeira vez em três anos. Mas, segundo Antônio Maria Costa, a situação afegã permanece instável, agravada pela pobreza, a falta de segurança e o controle precário do Estado sobre seu próprio território.

Por fim, o documento critica a volatilidade das políticas nacionais contra o uso de cannabis. “Com os problemas de saúde em decorrência de cannabis aumentando, é errado que o controle sobre a droga dependa do partido que está no governo”, disse Costa.

“Sabemos que uma estratégia coerente e de longo prazo pode reduzir o fornecimento, a demanda e o tráfico de drogas. Se isto não acontece, é porque algumas nações não levam o tema suficientemente a sério, e não perseguem as políticas adequadas”, acrescentou.“Alguns países têm o problema com drogas que merecem.”

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