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Morte de Zarqawi não garante redução da violência | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A morte do líder da Al-Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, é um vitória e uma oportunidade para o governo iraquiano mas, por si só, não garante a redução da violência no Iraque, advertem analistas. O pesquisador iraquiano Mustafa al-Ani, do Centro de Estudos do Golfo, em Dubai, observa que há informações não confirmadas de que o grupo teria nomeado – há seis meses – um alto conselho (Shura) para o comando da organização. "Não devemos exagerar o significado da morte de Zarqawi porque trata-se de todo um grupo que pode ter uma liderança coletiva. Isso vai ter, sem dúvida, um impacto moral no grupo (Al-Qaeda no Iraque), mas eles devem se recuperar", explica o pesquisador iraquiano Mustafa al-Ani, do Centro de Estudos do Golfo, em Dubai. Observadores acreditam que – mesmo que ainda de maneira menos coordenada, devido à perda do principal líder – os seguidores de Zarqawi devem continuar a promover ataques. "Algumas pessoas com quem conversei no Iraque temem até que haja um aumento nos ataques no curto prazo por conta da ansiedade do grupo de Al-Zarqawi de marcar a presença e mostrar força mesmo com a morte dele", diz o editor de assuntos internacionais da BBC, John Simpson. Grupos diferentes A organização Al-Qaeda no Iraque, que Zarqawi liderava, era o principal grupo atuando no país entre aqueles que os analistas classificam de "jihadistas", com grande participação de "mujahedin" (guerreiros) de outros países árabes. São organizações que – a exemplo da rede Al-Qaeda comandada por Osama bin Laden – se consideram em uma guerra global de resistência islâmica, na qual o Iraque é apenas um dos campos de batalha. Mas grande parte da insurgência no Iraque também é promovida pelos grupos "nacionalistas iraquianos", formados fundamentalmente por "mujahedin” locais. Eles podem ser grupos islâmicos, mas o foco da luta é a "libertação nacional" e não necessariamente a defesa ou expansão da religião. "Muitos líderes da insurgência nacionalista sunita ficaram satisfeitos com a morte dele. Al-Zarqawi era particularmente violento e, além dos xiitas (alvo da insurgência), ele também estava matando sunitas que discordavam da estratégia dele", disse a diretora de pesquisas do Insituto Real de Relações Internacionais (Chatham House), de Londres. Rosemary Hollis. Mustafa Al-Aini observa que grupos como o de al-Zarqawi são os principais responsáveis pelos ataques suicidas e pelas ações contra civís xiitas, enquanto as organizaçõs nacionalistas atuam mais contra as forças estrangeiras ou o governo iraquiano. "Estamos falando de duas tendências muito diferentes no Iraque. O que os militares conseguiram agora foi matar um importante líder de apenas uma delas", diz. Divisões Há dúvidas, agora, sobre a capacidade da Al-Qaeda no Iraque de continuar um grupo unido com a morte de Zarqawi. "Ele comandava o grupo com mão de ferro e muita violência. É difícil imaginar que, agora, algum de seus outros comandantes mais próximos vá conseguir assumir este papel rapidamente para evitar a desintegração do grupo", diz John Simpson. Mas Mustafa al-Aini observa que há suspeitas de que a Al-Qaeda no Iraque era liderada por um alto conselho (Shura) – escolhido cerca de seis meses atrás - que poderia nomear um novo líder com certa rapidez. "As indicações são de que Abdullah Bin Rashid al-Baghdadi liderava o Shura. Ele pode ser um forte candidato a substituir Zarqawi", diz. Governos ocidentais descreveram a morte de Zarqawi como uma grande vitória, mas mantiveram um tom cauteloso ao falar sobre os possíveis impactos positivos, no curto prazo, sobre a violência no Iraque. Bush O presidente George W. Bush falou na Casa Branca que a morte de Zarqawi é um "grande golpe para a Al-Qaeda" e "uma chance de virar a maré". "Mas a violência no Iraque ainda não vai parar. Terroristas e insurgentes vão continuar a agir a violência sectária também vai continuar", admitiu o presidente. Analistas dizem que os governos ocidentais querem evitar o mesmo tipo de euforia que ocorreu quando o ex-presidente Saddam Hussein foi preso. No fim das contas, a detenção do ex-lider iraquiano parece não ter ajudado a reduzir a violência no Iraque. "Todos os dias ouvimos falar das mortes provocadas pela violência no Iraque. Mas não devemos ter ilusões e sabemos que eles vão continuar a matar", disse em Londres o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. |
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