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Atualizado às: 05 de junho, 2006 - 14h36 GMT (11h36 Brasília)
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Madri faz megaexposição nos 125 anos de Picasso

Detalhe de 'Guernica', obra de Picasso
'Guernica' representa bombardeio de civis na cidade do mesmo nome
Pablo Picasso faria 125 anos em outubro. Mas as celebrações já começaram. Pela primeira vez os dois maiores museus da Espanha, o Prado (arte clássica) e o Rainha Sofia (arte moderna) se unem para uma exposição conjunta de comemoração: "Picasso, Tradição e Vanguarda".

A retrospectiva mais completa do pintor e escultor espanhol custou 2 bilhões de euros (cerca de R$ 6 bi) e é um passeio, através de mais de cem obras, por todas as etapas do artista mais valorizado do século 20.

"Estamos diante de um momento histórico. É muito emocionante ver a evolução de Picasso nessa cronologia", afirmou a diretora do Museu Rainha Sofia, Ana Martínez Aguilar.

Picasso é o único pintor com seis museus exclusivamente dedicados a ele em vários países. É recordista de vendas, com 21 dos 100 quadros mais caros do mundo. O mais caro, Garçon a la pipe, foi vendido por US$ 104 milhões em 2004.

"Certamente, a mostra é histórica em muitos sentidos. Especialmente para interpretar a trajetória do pintor mais influente do século 20", disse a crítica de arte Carmen Farel.

Rosa e azul

A mostra dividida entre os dois museus - percurso que o visitante pode fazer a pé - descreve a carreira desde o início do século até o final da vida de Picasso em 1973 na França.

Filho de um professor de arte, Picasso nasceu em Málaga em 1881. Começou a pintar sob a influência de mestres como Velásquez e Goya, e as primeiras fases da sua carreira foram descritas como Rosa e Azul (1903 e 1907), marcados pela temática sórdida e melancólica.

Viajou à França para seguir sua formação e acabou exilado pela Guerra Civil Espanhola. Ali criou o cubismo e encontrou nos relacionamentos afetivos passionais uma fonte contínua de inspiração. Picasso pintou suas grandes paixões: mulheres, touros e a ira ante as guerras.

"Essa mostra é uma visão essencial da obra dele. A história criativa de Picasso está muito unida à história da arte do século 20", explicou o diretor do Museu do Prado, Miguel Zugaza.

Durante a primeira parte da mostra no Prado, Picasso 'visita' os clássicos que o inspiraram. No Rainha Sofia aparece o pintor em suas etapas mais modernas, considerado o melhor de sua criação no exílio.

Guernica

A exposição comemora também duas outras datas: os 25 anos da volta à Espanha do quadro mais famoso de Picasso, Guernica, e os 70 anos de sua nomeação como diretor do Prado.

Guernica representa um bombardeio militar sobre a população civil na cidade basca que deu nome ao quadro. O ataque foi um pedido do ditador Francisco Franco às tropas nazistas de Hitler para acabar com um foco de resistência republicana no ínicio da Guerra Civil Espanhola.

E Hitler aproveitou a oportunidade para treinar seus aviões de combate antes da Segunda Guerra Mundial.

Comunista confesso, Picasso recebeu a encomenda de pintar o quadro para o pavilhão espanhol da Exposição Mundial de Paris em 1937. Era o início da guerra civil, quando a Espanha ainda tinha regime republicano e começavam os ataques militares franquistas.

"Esteve cinco meses atormentado com a idéia do bombardeio, lembrando da sua familia e dos seus amigos na Espanha, sua gente da qual não tinha notícias. Sentia-se muito angustiado."

"Em um mês sofreu uma espécie de frenesi, pintando sem parar. Estava consciente de que era sua obra prima, de que Guernica já ia além da arte", disse o curador da exposição, Francisco Calvo.

Ao terminar o quadro Picasso deixou expresso oficialmente que só permitiria que Guernica viajasse à Espanha após a morte de Franco. Até 1981 ficou no Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova York e desde então esteve em vários países, mas mantém sua sede definitiva no Rainha Sofia.

A mostra "Picasso, Tradição e Vanguarda" estará aberta ao público de 6 de junho até 3 de setembro, e conta com quadros de museus internacionais e colecionadores privados. Alguns deles nunca foram expostos antes na Espanha.

"Quando alguém pergunta pelo sentido da arte, Guernica serve como resposta: situar-nos e reconhecer-nos como seres humanos. Por isso Picasso foi um homem à frente de seu tempo", disse Francisco Calvo.

Os museus Casa Natal de Picasso de Málaga e Museu Picasso de Barcelona também farão, ao longo do ano, projetos comemorativos pelos 125 anos do pintor.

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