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Atualizado às: 02 de junho, 2006 - 02h27 GMT (23h27 Brasília)
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Opep decide manter atual nível de produção

A produção diária da OPEP ultrapassa os 23 milhões de barris
O petróleo continuará sendo explorado a total capacidade e a alta dos preços, por enquanto, será mantida. Esse foi o resultado da 141ª Reunião Extraordinária de Ministros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) realizada nesta quinta-feira na capital da Venezuela, Caracas.

As delegações representantes dos 11 países-membros da Opep também se comprometeram a estudar a ampliação do grupo, com a inclusão de Angola, Equador e Sudão como membros plenos.

A reunião teve início com duas propostas polêmicas levantadas pelo país anfitrião.

A Venezuela – quinto maior exportador mundial de petróleo - propôs a redução da produção diária por considerar que a oferta é superior à demanda.

Com a proposta, deixariam de ser produzidos 500 mil barris de petróleo por dia.

Apenas Irã, que defende o uso da energia nuclear como alternativa ao petróleo, apoiou a decisão.

A produção diária da OPEP ultrapassa os 23 milhões de barris por dia.

Para a delegação venezuelana, a produção excedente beneficia as grandes potências como Estados Unidos, que, ao aumentarem suas reservas estratégicas, podem interferir nos preços do petróleo a curto e médio prazo.

“Esses países podem lançar suas reservas no mercado para forçar a queda dos preços”, explicou à BBC Brasil Ivan Orellana, representante da Venezuela na OPEP.

Hoje os preços do petróleo sofreram queda após a divulgação das reservas comerciais de petróleo dos Estados Unidos. Na semana passada, o estoque americano cresceu em 1,6 milhão de barris, totalizando 345,5 milhões de barris.

A Bolsa Mercantil de Nova York registrou nesta quinta-feira queda de 95 centavos no preço do barril, cotado a US$ 70,34.

Alta dos preços

Para alguns analistas, um corte na produção poderia provocar um aumento de preços e uma redução na confiança dos países consumidores.

Na avaliação de Orellana, a alta dos preços “se deve às tensões geopolíticas, como a guerra no Iraque e as ameaças ao Irã. Não está relacionada com a produção”, afirmou.

O secretário-geral da Opep, o nigeriano Edmund Maduabebe Daukoru , admitiu, em uma entrevista coletiva, que está descontente com o preço do barril de petróleo. “Nós não estamos satisfeitos com os preços neste nível porque não estão amparados em fundamentos”, afirmou Daukoru.

No entanto, a seu ver, a redução dos preços deve ser analisada a longo prazo e deverá ser retomada na próxima reunião da Opep, que será realizada na Nigéria, dia 14 de dezembro.

Euro por dólar

Outra proposta que teve sua decisão adiada foi o estabelecimento do euro como moeda de cotação para o petróleo, substituindo o dólar. “Devemos sair da ditadura do dólar”, afirmou o presidente venezuelano Hugo Chávez durante a abertura do encontro.

De acordo com a representação venezuelana, a adoção da moeda européia poderia favorecer os países produtores que, em sua maioria, mantém relações comerciais com os países da União Européia.

Outro fator que impulsiona a discussão é a instabilidade da moeda americana no mercado financeiro.

“O dólar está se debilitando principalmente pela irresponsabilidade da política econômica dos Estados Unidos”, afirmou Chávez, fazendo uma ligação com a tentativa de golpe em 2002 para depô-lo.

"A agressão imperialista não era só contra a Venezuela, era também contra a OPEP. Se pretendia impedir o fortalecimento da Opep. Sabe-se que modestamente Venezuela joga um papel importante na organização”, disse o mandatário venezuelano aos delegados dos 11 países-membros da Opep, com exceção do Iraque, que não se fez representar no encontro em Caracas.

A Opep foi criada em 1960 com o objetivo de unificar as políticas petroleiras entre seus membros e assegurar a estabilidade dos preços do petróleo nos mercados internacionais. O grupo é composto pela Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Irã, Iraque, Kuwait , Líbia, Nigéria, Catar e Venezuela.

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