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Amorim diz que liderança do Brasil 'se alargou' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Respondendo a críticas sobre a política externa brasileira, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse hoje em Nova York que "a liderança do Brasil se aprofundou, se alargou (...) no governo Lula." Amorim se referia às críticas feitas sobre a reação do Brasil à nacionalização de hidrocarbonetos na Bolívia, à atuação do país em negociações comerciais e à campanha brasileira para obter um assento permanente no Conselho de Segurança. "Há pessoas que estão acostumadas a pensar com esquemas mentais passados, de que o Brasil praticava uma política de poder na América Latina e uma política de complacência em relação às grande potências", afirmou o ministro. "Hoje nós temos uma política externa que é uma política de respeito mútuo, que tanto se aplica aos grandes quanto aos pequenos", completou. Amorim acrescentou que o Brasil é hoje um ator fundamental tanto na OMC (Organização Mundial do Comércio) como na ONU (Organização das Nações Unidas). "Ninguém discute isso", afirmou. O ministro Celso Amorim participou nesta sexta-feira em Nova York do anúncio da criação de um órgão internacional para compra de medicamentos para países pobres para tratamento da Aids. Bolívia Ao abordar especificamente as negociações entre o Brasil e a Bolívia sobre o gás, Amorim indagou: "O que as pessoas que criticam gostariam que a gente fizesse?" "Nós fomos a La Paz para mostrar claramente qual é o nosso ponto de vista (...), mas você tem que manter o diálogo. Fechar o diálogo e partir para retaliações, para ações mais rudes, em geral não traz benefícios", afirmou. De acordo com Amorim, a Bolívia é um "país que está no centro da América do Sul, que tem a maior fronteira com o Brasil, que é um país pobre, onde houve uma mudança política de extrema importância". "Se discordamos de algumas ações, ou da maneira como essas ações foram colocadas, nós vamos discutir, pelo diálogo", afirmou. "Muitos desses que hoje nos criticam gostariam que nós tivéssemos uma atitude de subserviência em relação aos grandes países. O Brasil não é contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), mas a Alca da maneira que estava sendo negociada levaria a um acordo negativo para o Brasil", afirmou. Segundo Amorim, as negociações preliminares da Alca feitas pelo governo Fernando Henrique Cardoso trariam limitações operacionais à Petrobras, além de limitar a política de medicamentos genéricos contra a Aids produzidos no país. "Essas políticas não poderiam ser continuadas se nós aceitássemos como estava previsto na Alca", afirmou. Conselho de Segurança Indagado sobre a paralisação nas negociações sobre a reforma do Conselho de Segurança, Amorim disse que "Roma não se fez em um dia. A reforma do Conselho de Segurança não se faz em um dia". O chanceler brasileiro afirmou que há 10 anos, quando ele era o embaixador brasileiro nas Nações Unidas, ao se tratar da reforma da ONU, "só se falava na Alemanha, no Japão, e acabou-se." "Hoje em dia é impossível pensar na reforma do Conselho de Segurança sem pensar em países em desenvolvimento, sem Brasil, sem Índia. Isso é um avanço muito grande", afirmou. Amorim disse não saber quanto tempo essa reforma vai levar. "Vai acontecer agora, vai acontecer daqui a um ano, não sei. Agora, vai acontecer. E quando acontecer eu posso garantir que será uma reforma muito mais próxima dos nossos interesses do que se nós tivéssemos uma posição de indiferença", completou. |
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