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Atualizado às: 01 de junho, 2006 - 21h22 GMT (18h22 Brasília)
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União Africana discute sanções contra sudaneses

Abd el-Wahed Nur
Abd el-Wahed Nur se recusou a assinar o acordo no início do mês
A União Africana (UA) convocou uma reunião de seu conselho de segurança para discutir sanções contra os dois grupos sudaneses que se recusam a assinar o tratado de paz de Darfur.

“As medidas que estão sendo discutidas agora são principalmente congelamento de recursos do grupo que não assinou o tratado e a proibição de viagens de suas lideranças, mas há outras medidas que podem ser adotadas”, explicou por telefone da sede da UA em Adis Ababa, Etiópia, o chefe do departamento de administração de conflitos, Ehawim Wane.

A organização internacional tinha dado até a meia noite desta quarta-feira para que todos os grupos envolvidos no conflito de Darfur – incluindo o governo – assinassem o acordo.

O prazo venceu, as ameaças de sanção estão no ar, mas as negociações continuam para tentar atrair para o tratado os últimos dois grupos que ainda o rejeitam: o Movimento Justiça e Igualdade (MJI) e a facção liderada por Abd el-Wahed Nur no Movimento de Liberação do Sudão.

“Esse é um acordo que não dá nenhuma garantia de segurança para nosso povo em Darfur”, disse o representante da facção do MLS no Cairo, Idris Arbab.

Dificuldade

Arbab afirmou que o grupo vai continuar a respeitar o compromisso, feito em 2004, de não realizar ações armadas mas que também se recusa a entregar as armas, como exige o tratado de paz.

“Este acordo é feito para favorecer o governo do Sudão e vai nos deixar totalmente expostos. Não podemos ficar vulneráveis a um governo que aceitou limpeza étnica do país”, disse Arbab repetindo uma acusação sempre negada com vemência pelo presidente Bashir Al-Assad.

Dezenas de milhares de pessoas foram mortas e mais de dois milhões tiveram que ir para campos de refugiados no conflito que começou com ataques de milícias de sudaneses-árabes contra sudaneses de outras etnias africanas.

A milícias Janjawed tinham apoio do governo mas este nega qualquer envolvimento nos massacres cometidos pelas milícias.

Compromisso

O chefe do departamento de administração de conflitos da UA diz que é natural que nenhuma das partes esteja completamente feliz com o acordo.

“Um acordo de paz é sempre feito de concessões em todos os lados envolvidos”, diz Wane.

“Mas esse é um compromisso equilibrado e que foi fechado depois de muita discussão. Todos os grupos deveriam aceitar e quaisquer queixas depois podem ser resolvidas durante o processo de implementação do acordo.”

A Organização das Nações Unidas descreve o acordo – cujo formato final foi apresentado em Abuja, na Nigéria, no dia 5 de maio – como um primeiro passo num longo caminho em direção à paz.

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