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Atualizado às: 17 de maio, 2006 - 09h31 GMT (06h31 Brasília)
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Católicos reforçam campanha contra 'O Código da Vinci'

Poster do filme 'O Código da Vinci'
O filme tem estréia mundial marcada para o dia 19 de maio
Durante os dias que antecedem a estréia do filme O Código da Vinci, marcada para esta sexta-feira, a igreja na Itália intensificou sua campanha para convencer os católicos a não irem ao cinema.

Com uma mobilização sem precedentes contra um filme, a Igreja Católica sugere aos fiéis que não assistam a O Código da Vinci, baseado no livro de Dan Brown.

Segundo membros da igreja, o livro e o filme defendem teses que colocam em discussão algumas verdades históricas sobre as quais se baseia o cristianismo.

Os católicos italianos estão rebatendo de forma maciça o que consideram um ataque a sua fé por meio de livros, artigos de jornais, entrevistas na televisão, conferências e discussões na Internet.

'Erros e calúnias'

A obra de Dan Brown foi definida como "um conjunto de ofensas, calúnias, erros históricos e teológicos" pelo secretário da congregação para a doutrina da fé, monsenhor Angelo Amato.

"As mesmas ofensas, feitas ao Alcorão ou à Shoah, teriam provocado uma revolta mundial, mas dirigidas aos cristãos permanecem sem punição", protestou o prelado, que é um dos mais estreitos colaboradores do papa Joseph Ratzinger.

Durante uma conferência em Roma, ele sugeriu aos católicos de boicotar o filme, que é uma adaptação do livro.

Segundo alguns jornais italianos é provável que grupos mais ortodoxos façam campanha na entrada dos cinemas.

O romance de Dan Brown vendeu 40 milhões de cópias em todo o mundo e tornou-se um fenômeno editorial.

De acordo com a trama, Jesus Cristo teria vivido por muitos anos, ao lado de Maria Madalena, com quem teria se casado.

Ainda segundo o texto, o casal teve diversos filhos, garantindo uma descendência que chegaria até os dias de hoje.

Segundo o livro, a igreja teria mantido essa informação sob segredo, com a ajuda da poderosa organização religiosa Opus Dei.

Boicote

O texto foi adaptado para as telas e o filme, estrelado por Tom Hanks, chega aos cinemas no dia 19, mas será visto pela primeira vez no festival de Cannes, dois dias antes.

Não ir ao cinema como forma de protesto também foi proposto, na semana passada, pelo jornal Avvenire - órgão da conferência episcopal italiana.

Com um especial de quatro páginas dedicado a O Código da Vinci, o diário explica por quê o filme merece ser boicotado.

Porém, a conferência dos bispos italianos não defende esta posição oficialmente.

Segundo um porta voz da entidade, fazer campanha aberta contra o filme seria um modo de contribuir para sua divulgação.

Nem mesmo o Vaticano se pronunciou oficialmente sobre a questão. Mas alguns de seus importantes representantes sim.

Além de monsenhor Amato, o cardeal Francis Arinze, prefeito da congregação para o culto divino e o arcebispo de Gênova, Tarcisio Bertone, tomaram posição.

"Um boicote econômico contra o filme é o mínimo que se possa fazer. Espero que os católicos e cristãos saibam reagir adequadamente", afirmou o cardeal arcebispo de Gênova.

Para o cardeal Francis Arinze, a reação deve ser ainda mais radical.

Em entrevista à televisão católica Rome Reports, ele sugere que os cristãos recorram aos tribunais para denunciar o livro e o filme.

"Existem meios legais para obter o respeito dos próprios direitos. Devem nos respeitar e respeitar nosso fundador, Jesus Cristo. Os cristãos não podem permanecer de braços cruzados".

Opus Dei

A Opus Dei - o vilão da história de Dan Brown, não pretende adotar uma linha dura em relação ao filme.

A instituição religiosa, elevada à categoria de prelazia pessoal do papa por João Paulo 2° em 1982, aproveita a onda de publicidade para tentar eliminar a imagem de mistério e rigidez doutrinal que sempre a caracterizou.

"Respeitamos as declaraçõees da hierarquia católica mas nossa intenção é aproveitar a ocasião para explicar a história verdadeira de Jesus, da igreja e da Opus Dei", disse à BBC Brasil o porta voz da organização em Roma, Manuel Sanches.

No site da Opus Dei, as informações dedicadas a O Código da Vinci aumentaram nas últimas semanas.

"Eles querem fazer marketing, nós queremos fazer informação e facilitar todo o acesso possível aos jornalistas", disse Sanches, referindo-se aos editores do livro e aos produtores do filme.

Uma das críticas que os católicos fazem a Dan Brown é de não ter esclarecido, no início do livro, assim como no filme, que se trata de ficção.

"Ao contrário, ele escreveu que o texto é baseado em pesquisa e documentos", disse à BBC Brasil o jesuíta Gerald O'Collins.

O'Collins, especialista em teologia e literatura, é professor da Universidade Gregoriana e está fazendo conferências na Itália e em outros países para explicar os erros de Dan Brown.

"Ele criou um grande público e forneceu temas para grupos de trabalho", disse satisfeito.

Segundo o religioso, porém, o escritor cometeu "erros grosseiros, usou metáforas banais e velhos chavões."

O maior erro, em sua opinião, foi afirmar, no início do livro, que se baseou em pesquisas e documentos, quando usou informações comprovadamente falsas.

Na opinião do vaticanista Andrea Tornielli, autor do livro Processo ao Código da Vinci, para desmentir as teses de Dan Brown, não é preciso ser teólogo. "Basta uma enciclopédia", declarou ele à BBC Brasil.

A maior preocupação da igreja não é com quem freqüenta debates e livrarias. "Pessoas não-preparadas podem não entender o limite entre fantasia e pesquisa histórica", alertou o reitor da Universidade Católica Lateranense, Rino Fisichella.

Segundo pesquisa divulgada esta semana pela revista Panorama, metade dos jovens italianos reprova as teses do livro. A outra metado, contudo, considera que elas são muito interessantes.

Filme 'O Código Da Vinci''O Código Da Vinci'
Filme gera polêmica entre cristãos.
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