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Falta de ajuda paralisa economia palestina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O corte da ajuda financeira externa e o congelamento de repasses de taxas e impostos coletados por Israel estão parando a economia palestina. Nesta quarta-feira, a maioria dos postos de gasolina em Ramallah, a principal cidade palestina, deixou de funcionar. A empresa israelense Dor Energy, que fornece gasolina para os territórios palestinos, suspendeu o fornecimento por dívidas não pagas. Os 165 mil funcionários públicos, inclusive médicos, professores e policiais, não receberam seus salários nem de março e nem de abril. De acordo com o vice-ministro das Relações Exteriores, Ahmed Soboh, a situação da Autoridade Palestina é tão grave que não há mais comida para fornecer aos presos detidos nas cadeias palestinas. "Se não houver uma mudança imediata, teremos que começar a soltar os presos, pois não temos mais condições de lhes fornecer condições básicas", afirmou Soboh à BBC Brasil. Oxigênio O corte de ajuda internacional e o congelamento dos repasses de impostos por parte de Israel ocorreram depois que o grupo Hamas venceu as eleições palestinas, em janeiro - europeus, americanos e israelenses classificam o grupo como terrorista. "Estamos nos aproximando de uma paralisação total", disse Soboh. "No meu ministério, mais de 30% dos funcionários deixaram de comparecer ao trabalho. Muitos não têm dinheiro para pagar o transporte e outros não têm como pagar a creche para deixar seus filhos", disse Soboh. "Os salários dos funcionários públicos são o oxigênio da nossa economia", diz Soboh. "Um milhão de palestinos vivem diretamente desses salários e mais um milhão indiretamente." Segundo Soboh, no início de cada mês, com o recebimento dos salários, US$ 25 milhões (R$ 50 milhões) passam a circular na cidade de Ramallah. "Esse dinheiro serve para pagar aluguéis, transporte, saúde, alimentação, escolas etc. Sem ele, tudo pára, e todos os setores da economia são afetados". Para o biólogo Abdel Fatah Abu Srour, do campo de refugiados de Aida, em Belém, a situação econômica dos palestinos nunca esteve pior. "Antes havia uma diferença entre aqueles que têm um emprego e os desempregados. Mas hoje todos estão na mesma situação, ninguém tem dinheiro", disse ele. Abu Srour contou à BBC Brasil que a situação econômica em Aida está tão grave que, em seus sermões nas mesquitas, os sacerdotes têm pedido à população para compartilhar comida com os necessitados. "As pessoas têm muita dignidade e não vão pedir esmolas, mas muitos reduziram suas refeições à chá e pão", afirmou Abu Srour. Nazri Obeidallah, funcionário do gabinete do governador do distrito de Belém, tem cinco filhos e não recebe seu salário há dois meses. "Tive sorte, consegui um empréstimo do meu cunhado, mas nem todos têm um cunhado que pode lhes emprestar dinheiro", disse. Para o membro do parlamento Mustafa Barghouti, a situação é "desesperadora". Barghouti, que é formado em medicina, alerta para a situação do sistema de saúde na Cisjordania e na Faixa de Gaza. "Quatro doentes em Gaza já morreram por falta de diálise", disse ele, "e muitos outros estão sofrendo, pois os hospitais não têm dinheiro para comprar medicamentos básicos". |
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