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Frigorífico brasileiro na Argentina demite 735 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quarenta dias depois que o presidente da Argentina, Nestor Kirchner, determinou a suspensão das exportações de carne bovina, o principal frigorífico do país, Swift, anunciou, segundo a imprensa do país, que dispensou 735 empregados devido à falta de atividades. O frigorífico foi comprado há seis meses pelo grupo brasileiro Friboi, o maior do ramo no Brasil, que investiu cerca de US$ 200 milhões nessa aquisição. Esses trabalhadores, de acordo com o sindicato da categoria, estão “tecnicamente demitidos”, já que foram mandados para casa, por tempo indeterminado e sem receber salários. Pouco antes deste anúncio, o presidente do Consórcio de Exportadores, Carlos Oliva Funes, informou que, no total, cerca de cinco mil empregados foram colocados de licença (a maioria sem remuneração) até que se chegue a um entendimento com o governo argentino. Ele disse que fiscais da Alfândega tiraram cem contêineres de carnes dos navios preparados para levar as encomendas do produto aos países da União Européia. A carga faz parte, como afirmou, da “cota hilton” (quantidade acertada entre os governos da Argentina e dos diferentes países e que, segundo o Ministério da Economia, teria autorização para ser exportada). Compensação Segundo José Fantini, do sindicato dos trabalhadores da carne, a ministra da Economia, Felisa Miceli, garantiu que o governo compensará estes trabalhadores dispensados com uma ajuda financeira até que tenham seus empregos de volta. Fantini afirmou que os trabalhadores do setor estão em “estado de alerta” e que insistirão com o governo para que o benefício seja liberado o mais rápido possível. A maior preocupação reside hoje nas províncias produtoras de carne, como Santa Fé, que exporta aproximadamente 55% da sua produção. A carne argentina é o principal item do cardápio nacional, com um dos maiores consumos per capita do mundo. Por isso, como ressaltaram diferentes economistas, seu preço funciona como carro-chefe dos preços e é, hoje, uma das maiores ameaças da volta da inflação - o fantasma da economia mais temido pelo governo e pelos consumidores. Quando anunciou a determinação da suspensão da carne, no início do mês passado, por um prazo de seis meses, o presidente pretendia aumentar a oferta interna do produto, levando à queda nos preços das mercadorias. O que não ocorreu imediatamente. A ministra Miceli anunciou, então, um acordo com os empresários do ramo, estipulando redução no preço de onze cortes populares do produto. Mas as fatias escolhidas não atraíram o gosto do consumidor. A queda de braço entre governo, produtores e exportadores continuou, e somente nas últimas horas, segundo o Ministério da Economia, a redução de preços dos cortes mais procurados começou a ser registrada nos açougues. Nada, porém, que sinalize, até agora, segundo fontes do governo, que a suspensão das exportações chegará ao fim antes do prazo determinado e enquanto os preços de todos os tipos de carne de boi não caírem, como deseja o governo. |
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