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Venda de cerveja argentina acirra rixa com Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A pouco mais de cinqüenta dias da Copa do Mundo na Alemanha, a imprensa argentina criticou a venda da cervejaria Quilmes, principal patrocinadora da seleção argentina, para a Ambev, dona do símbolo brasileiro Brahma. “Como se diz 'vendido' em português?”, escreveu o jornal Clarín, com maior tiragem no país. A mesma pergunta provocativa, recordou, foi feita pela propaganda da Isenbeck, concorrente da Quilmes, em 2002. “Na verdade, a Quilmes acabou de ser 'vendida' ontem”, diz o texto. O jornal Pagina 12 escreveu que a Copa do Mundo deste ano vai ser comemorada com cerveja brasileira. Já o La Nación afirmou: “A cervejaria Quilmes deixou de ser argentina”. Referências, em tom dramático, ao anúncio feito na quinta-feira, em São Paulo e em Bruxelas, pela Inbev, grupo belgo-brasileiro, dono da Ambev, que pagou US$ 1,2 bilhões para concluir a aquisição da maior cervejaria argentina. Ironia e indignação Uma compra que começou há quase quatro anos, em maio de 2002, e também às vésperas da Copa do Mundo. Com certo tom de ironia e indignação, a matéria do Clarín afirma que o “colosso” Ambev aumentará sua participação na Quilmes de 56,7% para 91,18%. E recorda que há décadas a marca da cerveja leva as cores azul e branca da bandeira nacional e da camiseta da seleção argentina de futebol. “Pelo menos nesta Copa, a Quilmes vai continuar sendo patrocinadora da seleção. Vale dizer que nada é para sempre”, lamenta-se. A Quilmes, criada por um alemão em 1888, pertencia ao grupo Bemberg, holding presente na Argentina, Bolívia, Uruguai, Paraguai e Chile, que engarrafa a Pepsi, vende outras quatro marcas de cerveja, entre elas a Iguana e a Imperial, e a água mineral Nestlé e Eco de los Andes. Mesmo antes da desvalorização da moeda argentina, o peso, em janeiro de 2002, os investimentos brasileiros começaram a “dominar” o país, como se falou em diferentes emissoras de rádio. “Desde a desvalorização, o Brasil foi somando uma pérola atrás da outra”, escreve o Clarín. Entre estas “pérolas” estão a Perez Companc (Pecom, que hoje pertence à Petrobras Argentina), Loma Negra (agora nas mãos da Camargo Correa), Acindar (adquirido pelo grupo Belgo Mineira) e o frigorífico Swift (comprado pelo Friboi). “A venda da Quilmes representa o último capítulo do processo de estrangeirização das empresas argentinas”, escreveu o La Nación. “Essa onda começou nos anos 90, mas a novidade agora é a presença dos investidores brasileiros”, publicou o Página 12. Muitas destas companhias ficaram com dívidas impagáveis em dólares e com receitas em pesos, depois daquela desvalorização. Além disso, a falta de crédito e as ofertas milionárias, com os preços baixos das empresas argentinas frente ao capital brasileiro, passaram a ser argumentos freqüentes dos empresários e dos analistas, como o economista Jorge Vasconcellos, da consultoria Fundação Mediterrânea, para justificar a venda das principais marcas do país a investidores brasileiros. Outros economistas, como Beatriz Nofal, Ricardo Delgado e Roberto Bouzas, recordam que a Argentina não possui nada semelhante ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que, na opinião deles, facilita o crédito e expansão dos investidores brasileiros na região. Mas pelo jeito, ninguém contava que a maior presença brasileira aconteceria agora, quando já foi dada a largada para a Copa do Mundo, na qual, como em outros anos, Brasil e Argentina estão entre os preferidos – para o troféu e para o campo da rivalidade. |
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