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Atualizado às: 13 de abril, 2006 - 17h45 GMT (14h45 Brasília)
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Fóssil etíope pode ser 'elo perdido' da evolução humana
Ossos encontrados na Etiópia
Os fósseis preenchem lacuna na teoria da evolução humana
Cientistas norte-americanos acreditam ter descoberto fósseis de um ancestral direto do ser humano, que teria vivido mais de 4 milhões de anos atrás, mapeando um trecho desconhecido da evolução humana.

Segundo a matéria divulgada na publicação científica Nature, os fósseis achados pertencem à espécie Australopithecus anamensis, um gênero de hominídeo aceito como um ancestral do homem.

A importância do achado está no fato de relacionar o Australopithecus com hominídeos bípedes mais primitivos, fazendo uma ponte crucial para a compreensão da evolução como um todo.

Comparado com outros fósseis da mesma região da Etiópia, o anamensis, de cerca de 4,1 milhões de anos, parece estabelecer uma sucessão evolutiva com espécimes anteriores e posteriores a ele.

Preenchendo as lacunas

“O fato do anamensis estar entre hominídeos de diferentes períodos é muito significativo para esta seqüência etíope”, disse o professor Tim White, da Universidade da Califórnia, um dos cientistas que descobriram os fósseis em pesquisas na Etiópia.

Com o achado do anamensis, diminuiria a lacuna no mapa da evolução, entre o Ardipithecus Ramidus, de cerca de 4,4 milhões de anos e o Australopithecus afarensis, que data de cerca de 3,4 milhões de anos atrás.

Dentes encontrados na Etiópia
O Australopithecus Anamensis viveu há 4,1 milhões de anos

A primeira possibilidade levantada pelos cientistas é a de que uma espécie teria simplesmente evoluído da anterior, mas não está descartada a hipótese de que elas tenham coexistido por um determinado período.

Contudo, a descoberta não elimina todas as dúvidas sobre a evolução do Ardipithecus para o Australopithecus.

“Os buracos na teoria não foram completamente preenchidos, você preenche um, mas cria dois outros menores”, explicou o professor White.

“Agora queremos saber o que aconteceu entre 4,4 milhões e 4,1 milhões de anos. São 300 mil anos. Um período longo para a evolução humana”, disse.

Vivendo em florestas

Os fósseis encontrados pertencem a oito indivíduos e incluem o maior dente canino de um hominídeo já encontrado e o mais antigo fêmur, além de ossos das mãos e pés.

As escavações em Asa Issie, na Etiópia, revelaram restos de porcos, macacos e grandes felinos. A fauna sugeriria que o anamensis vivia numa floresta densa e fechada.

O anamensis apresentou uma camada mais grossa de esmalte nos dentes do que o Ardipithecus, sugerindo que o último ainda estava se adaptando a uma dieta mais abrasiva de raízes.

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