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Retórica nuclear ganha impulso na crise iraniana | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A crise iraniana está, aparentemente, mais nuclear do que nunca esta semana. Começou com a publicação na segunda-feira na revista New Yorker do artigo do lendário e furtivo jornalista Seymour Hersh de que o uso de armas nucleares táticas (bombas) contra instalações subterrâneas do Irã é um opção sendo considerada pelo governo Bush, caso o regime de Teerã não abandone o que Washington e outras capitais ocidentais suspeitam que sejam os esforços para desenvolver armas nucleares. Os anúncios explosivos continuaram. Na terça-feira foi a vez do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad revelar que seus engenheiros já avançaram para uma nova fase do enriquecimento de urânio. Muhammad Saeedi, o vice-diretor do programa nuclear iraniano, foi adiante dando conta dos planos de expansão do projeto, com a instalação e operação de milhares de centrífugas nos próximos anos, ou seja, o enriquecimento de urânio em larga escala. Ambições nucleares O "timing" dos desafiantes anúncios de Teerã tem um impacto imediato mais político do que técnico. O recado para o governo Bush e seus aliados é o de que as ambições nucleares iranianas são irreversíveis e não há nada que o mundo possa fazer para contê-las. Os anúncios foram feitos duas semanas depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter dado um prazo de 30 dias, sem ameaça de sanções, para Teerã suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. Uma outra revelação no artigo de Hersh, sempre de fontes não identificadas, é no sentido de que o governo Bush considera que a diplomacia está fadada ao malogro na crise iraniana. Unidades de forças especiais já estariam dentro do Irã selecionando alvos para ataques militares, que mais provavelmente - na avaliação do Hersh - seriam convencionais e não nucleares. Em várias entrevistas que deu ao longo da semana sobre o seu artigo, o jornalista da New Yorker disse que estrategistas do Pentágono não levam a sério a opção nuclear na crise iraniana (uma "opção impossível"), mas a Casa Branca insiste que esta não deve ser descartada. Por trás da fumaça Em meio aos anúncios explosivos e à fumaça das especulações, a preferência em público do presidente Bush e de seus assessores tem sido a de minimizar os planos de contingência para um ataque contra o Irã. É uma postura típica em uma guerra diplomática, pois de fato as opções devem ficar no ar. Mais do que isto, o jornal New York Times revelou nesta quarta-feira o que foi dito com "candor inusitado" por um dos principais assessores de política externa da Casa Branca: a possibilidade de ação militar contra o Irä continua remota a curto prazo e altamente problemática mais adiante. Por esta razão, de qualquer forma, convém ao governo Bush a crescente controvérsia sobre uma cartada militar, ou mesmo nuclear, caso a diplomacia venha a falhar. O drama no final das contas é se o Irã não recuar, com ou sem blefe. |
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