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Atualizado às: 02 de abril, 2006 - 05h14 GMT (02h14 Brasília)
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Papa João Paulo 2º, um ano depois

Papa João Paulo 2º
O papa João Paulo 2º ainda está no coração de muitos católicos
Um ano depois de sua morte, João Paulo 2º continua nos corações e mentes dos católicos ao redor do mundo.

Ele é considerado por muitos na igreja como um dos maiores papas da história moderna.

Semanas depois de sua morte, a canonização de João Paulo 2º foi já estava caminhando, um processo que no passado levava décadas ou até mesmo séculos.

O seu sucessor, o papa Bento 16, abriu mão da regra que prevê que deve haver um atraso de pelo menos cinco anos antes que qualquer proposta de canonização seja considerada.

Agora, a internet está sendo usada para coletar as provas necessárias.

O clérigo polonês indicado para preparar o caso foi inundado com e.mails de pessoas que se dispõem a testemunhar a favor da santidade do papa. Vários milagres também foram atribuídos a ele desde a sua morte.

A beatificação, o primeiro passo no caminho à canonização, requere a prova de um milagre atribuído a ele. Um segundo deve ser provado antes da etapa final de canonização.

Mudanças sutis

Enquanto muitos católicos podem ainda achar difícil a idéia de viver sem João Paulo 2º, a igreja segue em frente e algumas mudanças sutis estão acontecendo.

O papa Bento 16 está tomando as próprias decisões, decidindo assuntos à sua maneira. A burocracia do Vaticano está sendo reestruturada e há sinais de que o novo pontífice esteja pronto para adotar uma postura um pouco diferente em relação a assuntos delicados, como as relações com o Islã.

Quando João Paulo 2º morreu em abril do ano passado havia mais melancolia do que sofrimento. A morte foi, em grande parte, vista como um alívio depois de anos de sofrimento.

Mas ninguém, nem mesmo o Vaticano, estava preparado para o que se seguiu.

Dentro de horas da notícia da morte, peregrinos da terra natal de João Paulo 2º, a Polônia, estavam cruzando a Europa de ônibus, trem, carro e avião.

Quando eles chegaram a Roma, carregando suas bandeiras em vermelho e branco a cantando canções religiosas, foi como assistir um Exército chegando.

Funeral do papa JOão Paulo Papa João Paulo 2º
Milhares de peregrinos foram a Roma para ver o papa

A multidão se aglomerou pelas pontes do rio Tiber, pelo Vaticano e na área ao redor da Basílica de São Pedro. Depois de muitas horas na fila, os fiéis tinham apenas alguns segundos para prestar suas homenagens ao papa.

Mas não foram apenas os poloneses. Havia peregrinos de todo o mundo, cansados, mas contentes de poder estar lá, de testemunhar um momento histórico.

Tecnologia

"Nós tínhamos de vir", as pessoas diziam sempre. Elas sentiam uma conexão com João Paulo 2º, talvez porque ele tinha visitado tantos países.

Numa era de transporte barato, muitos católicos não estavam satisfeitos em apenas sentar em frente da TV e assistir à cerimônia em casa. Eles queriam estar lá e fazer parte daquilo.

Avanços na tecnologia trouxeram outras mudanças. No passado, a notícia de que um papa havia morrido era dada pela rádio do Vaticano, seguida do tocar dos sinos.

No ano passado, os sinos tocaram, mas o Vaticano informou a imprensa através de seus telefones celulares, enviando mensagens em texto.

Essa foi a primeira morte de um papa a acontecer na época da notícia global ao vivo. Tendo a Basílica São Pedro ao fundo, fileiras de correspondentes se colocavam em frente às câmeras de TV.

Nem tudo que foi transmitido foi de bom gosto, mas o Vaticano deve ter tido satisfação em saber que tantas redes de TV de países nem tão católicos estavam dedicando tanto tempo a uma história religiosa.

Ninguém pode negar que o papa João Paulo 2º deixou um legado substancial à igreja. Ele defendia ardorosamente os valores tradicionais em assuntos morais polêmicos como homossexualidade, divórcio e aborto. Ele não mudou a posição do Vaticano em relação ao celibato dos padres ou o papel da mulher na igreja.

Mas a grande cobertura por parte da imprensa internacional foi a prova de que João Paulo 2º era mais do que apenas o líder espiritual de um bilhão de católicos.

Ele foi o papa do leste europeu que ajudou a derrubar as paredes do comunismo. Ao viajar pelo mundo, ele falou contra a pobreza e a injustiça. Ele tentou ser a consciência do mundo, pedindo por paz diante da violência, e se colocando contra a guerra no Iraque.

O que quer que seja que as pessoas pensavam da maneira de pensar dele, João Paulo 2º não era alguém que pudesse ser ignorado facilmente. A sua presença era tanta que muitos políticos se sentiram obrigados a visitá-lo no Vaticano e a ouvi-lo.

Um ano depois, o papa Bento 16 tem a tarefa pouco invejável de seguir os passos de um homem já considerado um santo por muitos católicos.

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