70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 29 de março, 2006 - 14h53 GMT (11h53 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Políticos fazem malabarismo na crise de imigração nos EUA

Imigrantes ilegais brasileiros sendo deportados dos Estados Unidos para o Brasil
Imigrantes ilegais brasileiros sendo deportados dos Estados Unidos para o Brasil
O imigrante ilegal nos EUA, como em qualquer parte do mundo, é um equilibrista.

Ele nunca sabe quando vai cair na malha policial, quando será deportado. É o drama de um crescente número de brasileiros que vieram tentar a sorte no país dos sonhos e oportunidades.

O malabarismo só tende a crescer. Na verdade, é a própria sociedade americana e os políticos que estão se equilibrando perigosamente na questão da imigração.

E os grandes malabaristas são os republicanos. O partido do presidente George W. Bush está profundamente dividido, para não dizer desequilibrado, sobre o que fazer com os ilegais que já estão aqui e os que querem entrar.

Esta semana, o Comitê de Justiça do Senado votou a favor de legalização da situação dos ilegais (estimados em 11 milhões de pessoas) e eventualmente da concessão de cidadania, desde que eles atendam a várias exigências como ter trabalho, aprender inglês, não possuir antecedentes criminais e pagar impostos retroativamente.

O comitê também votou pela criação de um vasto programa de trabalho temporário A votação foi de 12 a 6, com quatro senadores da maioria republicana cerrando fileiras com os democratas.

Mobilização

Esta foi a parte fácil para o lobby pró-imigração. A votação aconteceu em meio à espetacular mobilização dos setores pró-imigração, evidenciada pela marcha de 500 mil pessoas em Los Angeles no sábado.

Mas a passagem da medida no comitê do Senado, que em abril será votada no plenário, agora deverá mobilizar os oponentes da imigração, interessados basicamente na repressão dos ilegais e reforço das medidas de prevenção na fronteira com o México.

E qualquer legislação no Senado precisará ser reconciliada com o projeto aprovado na Câmara dos Deputados, que exige a construção de uma cerca na fronteira e criminaliza os ilegais no país.

A liderança republicana na Câmara já antecipou que não topará nenhuma lei que inclua programas de trabalho temporário ou suavização do status dos ilegais já no país.

É um quadro muito complexo, mas em termos simplistas as visões sobre imigração podem ser divididas em dois campos.

De um lado, está o lobby da lei e ordem, integrado em geral por republicanos conservadores. Do outro, setores empresariais, que conhecem o valor da mão-de-obra barata representada por imigrantes, a maioria do Partido Democrata e muitos republicanos, inclusive o presidente Bush.

Embora também apóie mais rigor na repressão fronteiriça, este setor insiste que é preciso levar em conta que imigrantes ilegais vão continuar chegando, não podem viver nas sombras e são necessários para a economia.

Idealismo

Há também um componente idealista, ou seja, da tradição americana, de acolher levas de estrangeiros. Como disse Bush na segunda-feira, "cada geração de imigrantes renova nosso caráter nacional e acrescenta vitalidade à nossa cultura".

São nobres ideais, mas a tradição americana a rigor é mais ambivalente. Ela alterna generosidade com hostilidade em relação aos imigrantes.

E hoje os republicanos da escola lei e ordem estão mais afinados do que Bush com os sentimentos populares.

Uma recente pesquisa TVNBC/ Wall Street Journal revela que 59% dos americanos se opõem a um programa de trabalho temporário para imigrantes e 71% se dizem mais inclinados a votar em políticos a favor de mais repressão na fronteira.

Há, portanto, múltiplos desafios políticos e eleitorais na questão.

O próprio presidente Bush deflagrou o debate sobre reforma da imigração, calculando que a postura "generosa" aumentaria a fatia do voto hispânico para os republicanos, que de fato começou a migrar dos democratas nas últimas eleições presidenciais.

Já os democratas estimam que as divisões republicanas e o sentimento hostil em relação aos imigrantes irão conter ou mesmo reverter esta perda do voto latino.

Em contrapartida, há o bloco cada vez mais poderoso dos setores ressentidos com os imigrantes.

Neste malabarismo, o equilibrista na corda mais bamba é George W. Bush.

Fenômeno
Veja imagens do eclipse que cortou faixa de 14,5 mil km.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Bush diz que EUA são 'viciados' em petróleo
01 fevereiro, 2006 | BBC Report
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade