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Prodi ganha impulso após debate com Berlusconi | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A campanha do candidato de centro-esquerda às eleições gerais de abril na Itália, Romano Prodi, recebeu um impulso depois de seu debate com o atual primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, transmitido pela televisão italiana na terça-feira. Apesar de muito criticado por seu jeito "professoral", Prodi saiu-se melhor no confronto com Berlusconi, famoso por ser comunicativo, de acordo com pesquisa realizada pelo jornal Corriere della Sera logo após o programa. Na opinião de 42% dos entrevistados, Prodi teve um desempenho melhor, e 35% preferiram Berlusconi. Ninguém acreditava que "o professor", como é chamado Prodi, pudesse ter vantagem. Seu modo de falar, lento e pouco comunicativo, com sotaque de Bolonha, não era considerado favorável. Nem mesmo seus aliados estavam otimistas. Tanto que muitos chegaram a aconselhá-lo a não participar. Antes do debate, o jornal Europa, porta-voz do partido da Margarida - que faz parte da coalizão esquerdista, dava Prodi como incapaz de ser incisivo e convencer os eleitores ainda indecisos. No dia seguinte, retratou-se com um editorial intitulado: "Desculpe professor, o senhor nos surpreendeu". Preparação De acordo com a imprensa italiana, Prodi fez treinamento intensivo com seus assessores para se preparar para o encontro. O bom desempenho na televisão está sendo visto com o um reforço político para o candidato de centro-esquerda nas eleições do dia 9 de abril. Prodi não é afiliado a nenhum grupo político. Foi eleito, através de prévias, como representante dos dez partidos que formam a coalizão de centro-esquerda para ser seu candidato ao governo. "O bom resultado no debate e a eventual vitória nas eleições podem garantir um apoio popular muito grande a Prodi, que deverá investir na criação de um partido que se torne o pilar da coalizão”, comentou Paolo Gentiloni, um dos dirigentes do partido Margarida, em entrevista ao jornal La Stampa. "Monótono" O debate foi considerado monótono pelos críticos. Mesmo assim, teve audiência recorde. Foi visto por 16 milhões de pessoas - público comparável ao das partidas de futebol da seleção italiana. Os dois candidatos falaram pouco de seus programas e do futuro. Concentraram a discussão no passado e nas coisas que foram ou não feitas pelo atual governo. O limite de tempo para falar criou dificuldade para Berlusconi, acostumado a não ser interrompido quando expõe suas idéias. Tanto que, nas declarações finais, passou vários minutos lamentando não ter tido tempo suficiente para falar, ao invés de lançar uma mensagem aos eleitores. Todos os observadores reconhecem que Prodi teve vantagem. "Usando uma linguagem simples e acessível, ele conseguiu, mesmo que pouco, passar a sensação de um futuro melhor aos telespectadores", disse o especialista em pesquisas de opinião, Renato Mannheimer. Técnicas Silvio Berlusconi sempre foi visto como o homem que lançou um novo modo de fazer poliítica, usando técnicas de comunicação televisiva para conquistar as pessoas. Sua experiência de juventude, como cantor e animador turístico, contribuiu para a imagem de grande comunicador. Na opinião dos críticos, porém, ele não soube usar essas técnicas no debate. "Berlusconi parecia paralisado pelos números e estatísticas que citava, argumentos que não interessam ao grande público”, analisa Mannheimer. O desempenho do atual primeiro-ministro no debate foi criticado também por seus principais aliados: Gianfranco Fini e Pier Ferdinando Casini. Na opinião do vice-primeiro-ministro, Gianfranco Fini, Berlusconi desperdiçou uma oportunidade. "Ele devia ter admitido que há coisas que não estão indo bem no país e ter se prometido melhorá-las. Eu defendo maior determinação e humildade" , afirmou em entrevista ao jornal Corriere della Sera. Segundo os institutos de pesquisa, os debates na televisão não têm o poder de provocar grandes mudanças na preferência dos eleitores. Com base nas últimas sondagens divulgadas antes do programa, a coalizão de centro-esquerda estaria com uma vantagem de cerca de 4%. Um novo debate entre os dois candidatos está marcado para o dia 3 de abril. Será o último antes das eleições. |
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