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Análise: Bush enfrenta tempestade política na crise dos portos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, navega em águas cada vez mais turbulentas em Washington. A metáfora marítima é irresistível quando o duelo da Casa Branca com o Comitê de Apropriações da Câmara, na questão dos portos, atinge um significado político dramático. Num gesto que o jornal Wall Street Journal definiu como de "rechaço ousado", congressistas da maioria republicana, com o endosso da liderança partidária, se aliaram aos democratas para adotar o primeiro passo significativo para reverter o acordo que dá o controle das operações de terminais em seis importantes portos americanos para uma empresa estatal dos Emirados Árabes Unidos. Após a votação esmagadora na quarta-feira no poderoso Comitê de Apropriações (62 votos a dois), fica claro que fracassaram os lances da Casa Branca para apaziguar os ânimos parlamentares, em particular a iniciativa de estender por 45 dias uma revisão dos aspectos de segurança nacional do negócio, embora o sinal verde para a operação já tivesse sido dado pelo próprio governo. O presidente agora está diante de duas opções nada atraentes: vetar uma legislação contra o acordo (e ele nunca usou seu poder de veto em mais de cinco anos de governo) ou aceitar um compromisso, algo raro em um presidente teimoso. A própria companhia árabe, a Dubai Port World, talvez decida desistir ou refazer os termos do negócio diante da tempestade política. Vulnerável A turbulência apenas confirma a posição vulnerável de Bush. Após cinco anos dando passe livre para a Casa Branca, o Congresso de maioria republicana está em um estado de espírito que pode ser definido como de motim seletivo. Em questões mais abrangentes como Iraque e orçamento, os parlamentares questionam o rumo do Executivo. E o mesmo acontece em temas específicos. Senadores republicanos apenas concordaram com o programa de escuta clandestina antiterrorista do governo após arrancarem concessões da Casa Branca e existem abertas resistências no Congresso ao acordo nuclear que o presidente acertou com a Índia. Nada, porém, se compara à controvérsia dos portos. Com um presidente em maus lençois nas pesquisas de opinião pública e com reputação de incompetente e negligente, os congressistas cuidam dos seus próprios interesses, tendo em vista as eleições de novembro. Erro de cálculo E a seleção da batalha não poderia ser mais irônica. Segurança nacional é a razão de ser de George W. Bush, desde os atentados do 11 de setembro. Um presidente que tanto alarma o país sobre os perigos terroristas fracassou de forma estrondosa para convencer os americanos que o acordo dos portos não é um perigo à segurança nacional e sim uma prova de tolerância e de adesão aos princípios do livre mercado. A Casa Branca cometeu um tremendo erro de cálculo dando o sinal verde para o acordo dos portos. Irritou profundamente um Congresso que mais uma vez ficou à margem do processo de consultas. Os republicanos pegaram uma onda que seguramente tem componentes de xenofobia, em meio aos alertas do governo de que rechaçar o acordo apenas irá reforçar sentimentos antiamericanos no mundo árabe e islâmico. O reverso também existe. Pesquisas nos últimos dias mostram que dois terços dos americanos são contra o controle dos portos pela empresa dos Emirados Árabes Unidos. E uma sondagem divulgada nesta quinta-feira pelo jornal Washington Post e a rede de televisão ABC revela que quase metade dos americanos - 46% - tem uma visão negativa do islamismo, 7 pontos a mais do que nos traumáticos meses que se seguiram aos ataques do 11 de setembro. George W. Bush prometeu mundos e fundos para proteger seu país das ameaças terroristas, mas os americanos se sentem em um porto inseguro. |
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