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Atualizado às: 10 de fevereiro, 2006 - 13h17 GMT (11h17 Brasília)
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Egito pára para assistir à final da Copa da África

Torcedores do Egito
Egípcios devem parar nesta sexta para a final da Copa da África
O Egito começou a Copa da África como um dos azarões da competição mas conseguiu surpreender o mundo do futebol africano ao chegar à final, nesta sexta-feira, contra a Costa do Marfim. O país deve parar na hora do jogo, marcado para às 18h (do horário local, 14h no Brasil).

O futebol já é o esporte nacional do Egito e este ano o desempenho da seleção tricolor – vermelho, preto e branco, como a bandeira do Egito – atraiu mesmo quem não gosta do esporte e se tornou o tema dominante das conversas no país.

“É por causa das vitórias do Egito nesta copa da África que não há protestos por causa do naufrágio do navio (Salem 98, que afundou na semana passada no Mar Vermelho) e nem tantas manifestações no Egito contra as charges de Maomé”, acredita o estudante Hazem Choucri, um dos egípcios que gosta de futebol apenas moderadamente mas que nesta Copa mergulhou de cabeça no espírito da competição.

O repórter esportivo da BBC Árabe no Cairo, Ehab Abbas, diz que se o Egito ganhar nesta sexta-feira, o país e seu povo “vai brilhar numa alegria poucas vezes vista”.

“Mas, se perdermos o jogo, você vai ver muita tristeza. Com certeza vai ter muita gente chorando pelas ruas e Deus queira que ninguém morra”, disse o jornalista.

Interesse

Abbas diz que a mulher dele, por exemplo, não tem interesse nenhum em futebol mas que nesta Copa da África assistiu a todos os jogo da seleção, com uma empolgação crescente à medida que a competição avançava.

Os bilhetes da final –- que ainda estavam disponíveis até as semifinais – esgotaram rapidamente quando o Egito garantiu a vaga. No único posto de venda da cidade, na frente do estádio, o tumulto foi grande e teve gente que foi parar no hospital na disputa por um lugar.

O estádio do Cairo tem capacidade nominal de 80 mil pessoas mas a Federação Africana de Futebol não divulga números oficiais sobre quantos ingressos foram vendidos.

"Aqui no Egito a cultura do futebol também é muito forte", diz Abbas, observando que os egípcios também têm um carinho muito grande pelo futebol brasileiro.

"Eu chorei muito na Copa de 1982 quando o Brasil perdeu por três a dois aquele jogo contra a Itália", lembra o jornalista. "Não quero nem imaginar como vou ficar se o Egito perder agora esta final."

Para se prevenir de decepções muito grandes os torcedores egípcios estão mantendo uma atitude cuidadosa, lembrando a todo momento que o time da Costa do Marfim – o outro finalista da competição – é muito forte e o jogo incerto demais para um previsão.

Embora o Egito já tenha batido a Costa do Marfim por 3 a 1 na primeira fase desta Copa da África, os torcedores também não esquecem das eliminatórias da Copa do Mundo, quando duas vitórias dos marfinenses acabaram com as chances de os egípcios irem ao Mundial da Alemanha.

O barbeiro Alaa Abu Yaduj diz que espera que o Egito ganhe esta final, mas que acredita na vitória da Costa do Marfim.

"Eles são muito bons. O Egito conseguiu surpreender todo mundo nesta competição mas não tem um time tão bom assim", analisa Abu Yajid, deixando claro que, apesar das críticas, a casa dele está cheia de bandeiras e ele não perdeu nenhum jogo de sua seleção.

Surpresa

No início da Copa da África a avaliação da maioria dos analistas esportivos e torcedores era de que o Egito teria dificudades para passar da primeira fase na competição.

O grupo do país – formado por Egito, Líbia, Marrocos e Costa do Marfim – era considerado um dos mais difíceis.

Mas os egípcios acabaram surpreendendo com um futebol ofensivo e regular durante toda a competição que resultou em quatro vitórias (Líbia por 3 a 0, Costa do Marfim por 3 a 1, Congo por 4 a 1 e Senegal por 2 a 1), um empate (0 a 0 com o Marrocos) e nenuma derrora até agora.

O ex-jogador Magdy Abdle Hani – uma das maiores estrelas da história do futebol egípcio e responsável pelo único gol marcado pelo Egito em Copas do Mundo, um pênalti em 1990 – diz que a equipe de seu país "tem qualidade para ganhar a final".

"Mas se vai ganhar mesmo é uma coisa que só Deus sabe. Não quero nem arriscar um palpite de placar", disse Abdel Hani num português perfeito, aprendido nos anos em que jogou no futebol profissional de Portugal, no anos 90.

Tática

Hani diz que os times do Egito e da Costa do Marfim sabem tudo o que há para saber um sobre o outro e que a partida deve ser muito tática e começar bem fechada.

"O jogo só vai abrir na hora que alguém marcar o primeiro gol. Se o Egito conseguir, as chances de levar a vitória passam a ser muito grandes", prevê.

A seleção do Egito vai ser muito prejudicada pela ausência do atacante Mido, que foi suspenso por ter discutido com seu técnico em campo na semifinal contra o Senegal.

Mido – que joga na equipe inglesa Tottenham Hotspur – é a maior estrela da atual seleção, não queria sair do campo e resistiu aos gritos à decisão do treinador Hassan Shehata de substituí-lo por Amr Zaki.

O público também reclamou da substituição mas acabou dando razão ao técnico quando Zaki marcou, pouco depois de ter entrado no campo, o gol que garantiu a vitória do Egito por 2 a 1 na semifinal.

Depois do jogo, a Federação Egípcia de Futebol tomou a inesperada decisão de punir Mido com uma suspensão de seis meses às vesperas de um jogo crucial para o futebol do país.

Outros jogadores disseram à imprensa que consideraram a punição muito severa e que Mido vai fazer falta na partida porque é o jogador mais polivalente da equipe.

"Nós estamos todos muito frustrados com isso. Nós precisamos de Mido porque ele consegue jogar em qualquer posição", disse à agência de notícias Reuters o meio-campista Mohamed Barakat.

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