|
Caso Enron é marco no acerto de contas em onda de escândalos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Como a imensa maioria dos americanos e dos mortais em geral, os doze jurados do julgamento de Ken Lay e Jeffrey Skilling, os principais executivos da Enron, iniciado nesta segunda-feira em Houston, no Texas, precisarão de um curso intensivo de contabilidade para entender o labirinto da fraude do conglomerado de energia que pediu concordata em 2001. Mas a imensa maioria das pessoas sabe que a Enron é o símbolo dos escândalos corporativos americanos que marcaram a virada do século. Joseph Nocera, didático colunista de finanças do New York Times, lembra que nenhum escândalo do gênero criou tanta repulsa popular nos EUA desde o caso de Richard Whitney, o presidente da Bolsa de Valores de Nova York, que nos anos 30 roubou de forma alucinada dos seus clientes. E a Enron, de fato, merece tanta repulsa. A revelação da fraude destruiu US$ 60 bilhões em capitalização de mercado e custou milhares de empregos em uma empresa que chegou a ser a sétima maior do país. Rede Desta vez não foi o caso de meia dúzia de maçãs podres fazendo tramóias contábeis. O escândalo Enron envolveu uma vasta rede de cúmplices de amplos setores da economia - auditores, advogados, corretores e banqueiros. Investidores foram enganados e quiseram ser enganados. Foi um daqueles momentos em que a ganância -um dos sete pecados capitais, mas não do capitalismo- venceu o medo. E por um momento houve a expectativa de que o escândalo iria bater na Casa Branca. Ken Lay era um generoso contribuinte de campanhas republicanas. Com seu pendor para dar apelidos, George W. Bush o chamava de "Kenny Boy", mas na hora mais necessária a intimidade de nada adiantou. O presidente não veio em socorro da Enron quando aconteceu o curto-circuito. Como mero escândalo corporativo, e não político, no entanto, o caso já é fenomenal. Fenomenal, mas não o único. A Enron está na má companhia da WorldCom, HealthSouth, Global Crossing e Adelphia. A pilha de escândalos levou à aprovação de legislação em 2002 (o ato Sarbanes-Oxley), que criou regras mais rígidas para relatórios financeiros e a auditoria de companhias de capital aberto. Além dos reguladores, os promotores federais foram à luta com uma barragem de investigações civis e criminais no mundo (e submundo) corporativo. Uma força-tarefa indiciou mais de 900 pessoas - 60 delas na faixa de alto comando empresarial. Foram mais de 500 condenações ou acordos com a promotoria. Somente no caso da Enron foram 16 acordos, entre eles o de Andrew Fastow, o homem das finanças da empresa que escondeu bilhões de dóares em dívida e inflou os lucros. Em troca de no máximo 10 anos de prisão, Fastow concordou em testemunhar contra Lay e Skilling. Ramificações O veredito do julgamento de Lay e Skilling terá amplas ramificações. Na percepção popular será o caso, que segundo o jornal Los Angeles Times, irá determinar se a cruzada anticorrupção do governo "terá sido um sucesso ou um fracasso". Afinal, apesar de alguns esforços notórios e bem sucedidos de punição, a opinião pública hoje desconfia da América corporativa. É um contraste com os anos 80, quando alguns escândalos sensacionais foram insuficientes para abalar a confiança popular. De acordo com uma pesquisa do centro Pew, a "erosão de credibilidade das corporações acontece em quase todos os grupos demográficos e políticos". O historiador econômico Charles Geisst está esperançoso que as novas regulamentações e a importância simbólica do caso Enron (se ocorrerem as condenações de Lay e Skilling) sirvam para moralizar efetivamente o mundo corporativo, mas seu colega John Steele Gordon é mais cético. Ele teme que um novo boom na economia irá impelir executivos a enganar e investidores a serem enganados. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Fraudes financeiras abalam confiança em empresas20 de dezembrojaneiro, 2002 | Notícias Chefe de finanças da Enron se entrega ao FBI02 de outubro, 2002 | Notícias Contas de ex-executivo da Enron 'são bloqueadas'07 de julho, 2002 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||