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Atualizado às: 19 de janeiro, 2006 - 20h02 GMT (18h02 Brasília)
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Caso Jean Charles: Família quer decisão até 16/2

Jean Charles de Menezes
Jean Charles de Menezes foi morto no metrô com sete tiros na cabeça
Os primos de Jean Charles de Menezes, o eletricista brasileiro morto pela polícia britânica no metrô de Londres, fizeram críticas pesadas à atuação da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia Britânica (IPCC, na sigla em inglês) e exigiram que a promotoria decida no máximo até o dia 16 de fevereiro se vai ou não processar criminalmente os responsáveis pela morte de Jean Charles.

A IPCC apresentou nesta quinta-feira as suas conclusões à promotoria, supostamente esclarecendo a seqüência de acontecimentos que levou à morte do brasileiro.

No entanto, em uma entrevista coletiva no centro de Londres, três primos de Jean Charles e um amigo íntimo afirmaram estar sendo mantidos "no escuro" pela IPCC e exigiram que a promotoria apresente uma decisão sobre o caso no máximo uma semana antes da data fixada para o início do inquérito do instituto médico legal britânico, que também vai investigar as circunstâncias da morte do brasileiro.

"No primeiro encontro que tivemos com representantes da IPCC, eles nos deram uma carta dizendo que a prioridade deles era fornecer toda a informação possível à família, e antes de qualquer pessoa. Eles estão se contradizendo", acusou a prima de Jean Charles, Patrícia Armani, que apresentou uma carta assinada pelo presidente da IPCC, Nick Hardwick.

Ministro do Interior

O comunicado oficial da IPCC afirma que cópias do relatório foram enviadas à promotoria, ao chefe do instituto médico legal, à polícia metropolitana de Londres e até ao ministro do Interior, Charles Clarke – devido às "circunstâncias sérias e excepcionais" do caso.

A nota diz ainda que a IPCC estaria em "discussões aprofundadas com a família de Jean Charles para combinar de que forma informá-los da maneira mais útil para eles". Um comunicado da família de Jean Charles negou essa informação.

"Consideramos inaceitável que nós, as vítimas dessa tragédia, sejamos, mais uma vez, os últimos a saber. Continuamos no escuro. Deveríamos estar no centro do processo, mas estamos às margens", diz a nota, que conclui que a IPCC "faltou com respeito" à família.

Durante a entrevista coletiva, a família de Jean Charles também criticou o governo brasileiro.

"Por que agora o governo não nos dá uma ajuda? Eles poderiam fazer pressão para que a promotoria apresente uma decisão rapidamente", exigiu Alex Pereira, primo do eletricista morto.

'Aberto e transparente'

Entre as exigências da família e dos advogados de Jean Charles à promotoria e ao promotor-geral da Grã-Bretanha estão uma "garantia de que o processo de decisão seja aberto, transparente e responsável".

Eles pedem também que a família e os seus representantes legais sejam informados de quem será o advogado destacado para analisar o relatório da IPCC.

O documento deve apontar "problemas sérios de comunicação" entre os policiais no dia da morte do brasileiro, segundo informações vazadas para a imprensa.

De acordo com o correspondente da BBC Daniel Sandford, também já teria ficado claro que a comandante Cressida Dick, a oficial do dia "quase não tinha dormido, por causa da falta de oficiais graduados da Scotland Yard treinados para lidar com ameaças de homens-bomba".

A comandante Dick supervisionava os policiais armados, e o colega dela, comandante John McDowell, liderava o trabalho dos homens que vigiavam o prédio do brasileiro naquele dia.

Alvo das críticas

No entanto, não se sabe a quem as prováveis críticas contidas no relatório da IPCC foram dirigidas.

O eletricista foi morto com sete tiros na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, mas segundo uma testemunha ocular, em outro depoimento vazado à imprensa, a polícia disparou 11 vezes.

De posse do relatório da comissão investigadora desde quinta-feira, a promotoria agora vai decidir se existem provas e motivos suficientes para responsabilizar criminalmente um ou mais envolvidos no episódio da morte do brasileiro.

"O documento agora vai ser analisado por um jurista graduado da nossa Divisão de Crimes Especiais, e a decisão vai ser passada à IPCC", diz a nota oficial da promotoria.

Caso fique estabelecido que realmente houve uma ação criminal da parte dos policiais, a promotoria pode julgá-los por homicídio culposo ou doloso (intencional).

Vigília

No entanto, o documento elaborado pela comissão não vai ser divulgado ao público até que a promotoria decida se vai levar alguém a julgamento. Nesse caso, o relatório só seria divulgado no fim de todo o processo.

A campanha Justiça para Jean Charles anunciou nesta quinta-feira que vai organizar uma vigília para marcar os seis meses da morte do eletricista no domingo.

A família e amigos do brasileiro devem se encontrar por volta das 10h em frente à estação de metrô de Stockwell, onde Jean Charles foi morto em julho.

Jean Charles de MenezesÚltimas imagens
Veja as fotos do brasileiro morto pela polícia britânica.
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